UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2020
Há 1 ano, mulher de 37 anos apresenta quadro de dor episódica, associado à alimentação, em hipocôndrio direito, com irradiação para o dorso. Procurou atendimento de urgência devido à dor mais intensa e de caráter constante, associada a náuseas e vômitos, no hipocôndrio direito. Ao exame físico, a paciente está orientada, corada e anictérica com os seguintes sinais vitais: FC = 108bpm; PA = 110 x 70mmHg; TAx = 37,4°C; SaO₂=97%. O exame abdominal mostrou peristalse normal, dor intensa à palpação no hipocôndrio direito associada à defesa muscular involuntária e descompressão dolorosa nessa topografia. Foram realizados exames laboratoriais que mostraram: Hto = 39%; Hb = 9,0; 19800 leucócitos /mm³ com 8% de bastões; amilase = 190 U/L; lipase = 90 U/L; AST = 28 U/L; ALT = 34 U/L. A ultrassonografia de abdomên apresentou vesícula sobredistendida, com parede espessada, contendo múltiplos cálculos e presença de pequena coleção perivesicular. Com base nesse caso: Indique uma conduta cirúrgica adequada para o caso.
Dor em HD + Murphy + Parede espessada + Leucocitose > 18k → Colecistite Aguda Grau II (Moderada).
A conduta padrão para colecistite aguda é a colecistectomia videolaparoscópica precoce, idealmente realizada nas primeiras 72 horas do início dos sintomas.
A colecistite aguda é uma das principais causas de abdome agudo inflamatório. O caso clínico apresenta uma paciente com sinais clássicos (dor em HD, Murphy, leucocitose importante e achados ultrassonográficos de distensão e coleção perivesicular), classificando-a como Grau II pelos critérios de Tokyo. A presença de anemia (Hb 9.0) deve ser investigada, mas não contraindica a abordagem cirúrgica imediata após estabilização hemodinâmica. A laparoscopia é a via preferencial devido à recuperação mais rápida e menor taxa de infecção de ferida operatória.
O diagnóstico baseia-se nos Critérios de Tokyo (TG18), que incluem: (A) Sinais locais de inflamação, como sinal de Murphy positivo ou massa/dor/defesa no hipocôndrio direito; (B) Sinais sistêmicos de inflamação, como febre, PCR elevada ou leucocitose; e (C) Achados de imagem característicos na ultrassonografia ou tomografia, como espessamento da parede da vesícula (> 4mm), aumento do volume da vesícula, cálculos impactados ou líquido perivesicular. O diagnóstico definitivo requer um item de A, um de B e um de C.
A recomendação atual é a colecistectomia videolaparoscópica precoce. Estudos demonstram que operar o paciente logo após a admissão (preferencialmente em menos de 72-96 horas do início dos sintomas) reduz o tempo de hospitalização, custos e complicações técnicas, sem aumentar a taxa de conversão para cirurgia aberta quando comparada à cirurgia tardia (após 6-8 semanas).
A classificação de Tokyo divide a colecistite em: Grau I (Leve), sem disfunção orgânica e alterações inflamatórias leves; Grau II (Moderada), associada a leucocitose acentuada (> 18.000), massa palpável, sintomas > 72h ou inflamação local grave (abscesso, peritonite biliar); e Grau III (Grave), com disfunção de qualquer órgão ou sistema (cardiovascular, neurológico, respiratório, renal, hepático ou hematológico).
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo