SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2024
Uma paciente de 50 anos de idade é admitida na emergência com dor abdominal no quadrante superior direito, febre e sensibilidade à palpação na região da vesícula biliar. Ao exame físico, PA = 130 mmHg x 80 mmHg, FC = 100 bpm, FR = 18 irpm e temperatura = 38,5 °C. O exame físico revela, sinal de Murphy positivo e dor à palpação na região da vesícula biliar. A suspeita é de colecistite aguda. Acerca desse caso clínico, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais apropriada em relação à técnica cirúrgica a ser utilizada.
Colecistite aguda → Colecistectomia laparoscópica precoce (<72h) é o padrão-ouro.
O tratamento padrão para colecistite aguda calculosa é a colecistectomia laparoscópica precoce, que reduz o tempo de internação e complicações em comparação à cirurgia tardia.
A colecistite aguda resulta geralmente da obstrução do ducto cístico por um cálculo, levando à inflamação e, por vezes, infecção secundária da vesícula biliar. O manejo envolve estabilização hemodinâmica, analgesia, antibioticoterapia e, crucialmente, a resolução mecânica da obstrução. A via laparoscópica tornou-se o padrão-ouro devido à menor dor pós-operatória, recuperação mais rápida e melhores resultados estéticos. Para o residente, é vital reconhecer os critérios de gravidade (Tóquio 2018) para estratificar o risco e decidir o momento cirúrgico. A falha em operar precocemente pode levar a complicações como gangrena, perfuração e peritonite biliar, aumentando significativamente a morbimortalidade do paciente.
As diretrizes atuais, como os Critérios de Tóquio (TG18), recomendam a colecistectomia precoce, idealmente dentro de 72 horas após o início dos sintomas. Estudos mostram que a intervenção precoce não aumenta a taxa de conversão para cirurgia aberta e resulta em menor tempo total de hospitalização e menores custos, além de evitar recorrências de crises biliares durante o período de espera.
A apresentação clínica típica inclui dor persistente no hipocôndrio direito ou epigástrio (geralmente > 6 horas), febre e leucocitose. O sinal de Murphy (interrupção da inspiração profunda durante a palpação do ponto cístico) é altamente sugestivo. O diagnóstico é confirmado por exames de imagem, sendo a ultrassonografia abdominal o exame inicial de escolha, revelando espessamento da parede da vesícula, líquido pericolecístico e cálculo impactado.
A colecistostomia percutânea é reservada para pacientes com colecistite aguda grave (Grau III de Tóquio) ou pacientes com alto risco cirúrgico (ASA III ou IV) que não apresentam melhora com o tratamento conservador inicial. Ela serve como uma medida de drenagem temporária para estabilização clínica, permitindo que a cirurgia definitiva seja realizada em um momento posterior, quando o paciente estiver em melhores condições.
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