Colecistite Acalculosa: Diagnóstico e Manejo em Pacientes Críticos

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2015

Enunciado

B.T.C., 64 anos, sexo feminino, laboratorista, encontra-se em jejum pós-operatório prolongado devido à cirurgia de grande porte e desenvolve quadro de dor em região subcostal direita, associada a febre e náuseas. Leucograma mostra 12.200 leuc/mm³, com desvio para a esquerda. Ultrassonografia evidencia vesícula biliar com paredes espessadas, sem cálculos em seu interior. Sobre este caso, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) A ausência de cálculos exclui o diagnóstico de colecistite aguda.
  2. B) A colecistectomia não deve ser indicada inicialmente, considerando o caráter benigno desta afecção.
  3. C) A ocorrência de necrose e perfuração é rara nesses casos.
  4. D) Na cirurgia prévia, não houve necessariamente manipulação do trato biliopancreático.

Pérola Clínica

Colecistite acalculosa: grave, associada a pacientes críticos (jejum prolongado, sepse, trauma), alta morbimortalidade.

Resumo-Chave

A colecistite acalculosa é uma condição grave que ocorre em pacientes criticamente enfermos, como aqueles em jejum prolongado ou pós-cirurgia de grande porte. A ausência de cálculos não exclui o diagnóstico, e a manipulação do trato biliopancreático não é um pré-requisito para seu desenvolvimento.

Contexto Educacional

A colecistite acalculosa é uma inflamação aguda da vesícula biliar na ausência de cálculos biliares, representando cerca de 5-10% de todos os casos de colecistite aguda. É uma condição grave, frequentemente observada em pacientes criticamente enfermos, como aqueles em unidades de terapia intensiva, após cirurgias de grande porte, traumas, queimaduras extensas, sepse, choque ou em jejum prolongado com nutrição parenteral total. A fisiopatologia envolve estase biliar, isquemia da parede da vesícula e inflamação. O diagnóstico da colecistite acalculosa é desafiador devido à inespecificidade dos sintomas em pacientes já debilitados. A suspeita clínica é crucial em pacientes de risco que apresentam dor em hipocôndrio direito, febre, leucocitose e náuseas/vômitos. A ultrassonografia abdominal é o exame de imagem inicial de escolha, revelando espessamento da parede da vesícula biliar (>3-4 mm), líquido pericolecístico, lama biliar ou distensão da vesícula, sem cálculos. O tratamento da colecistite acalculosa é agressivo e geralmente envolve suporte clínico intensivo, antibioticoterapia de amplo espectro e drenagem da vesícula biliar (colecistostomia percutânea) ou colecistectomia. Devido à alta taxa de complicações como necrose e perfuração, a intervenção precoce é fundamental. A colecistectomia pode ser realizada quando o paciente estiver mais estável, ou como procedimento de urgência em casos de deterioração clínica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de colecistite acalculosa?

Os principais fatores de risco incluem jejum prolongado, nutrição parenteral total, cirurgias de grande porte, trauma grave, queimaduras extensas, sepse, choque, diabetes mellitus e imunossupressão.

Como é feito o diagnóstico de colecistite acalculosa?

O diagnóstico é baseado na suspeita clínica em pacientes de risco, sintomas como dor em hipocôndrio direito, febre e leucocitose, e achados de imagem (principalmente ultrassonografia) que mostram espessamento da parede da vesícula biliar, líquido pericolecístico, lama biliar, sem a presença de cálculos.

Por que a colecistite acalculosa é considerada uma condição grave?

A colecistite acalculosa é grave porque ocorre em pacientes já debilitados e está associada a uma alta taxa de complicações, como necrose, gangrena e perfuração da vesícula biliar, resultando em maior morbimortalidade se não tratada agressivamente.

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