HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2023
Paciente de 89 anos, história de AVE prévio, DPOC, HAS, com quadro de ICC descompensada interna em unidade intensiva, dependente de drogas vasoativas em doses elevadas para manutenção de estabilidade hemodinâmica, evolui com febre, piora importante de parâmetros inflamatórios e hemodinâmicos. Realiza TC de abdome sem contraste que evidencia vesícula biliar de paredes espessadas e borramento da gordura perivesicular. Qual seria o melhor exame complementar para confirmar a suspeita diagnóstica acima?
Paciente crítico + TC com vesícula espessada/borramento → USG abdome para confirmar colecistite acalculosa.
Em pacientes críticos com suspeita de colecistite acalculosa e achados sugestivos em TC (espessamento de parede e borramento perivesicular), a ultrassonografia de abdome é o exame complementar de escolha para confirmação diagnóstica, sendo não invasiva e amplamente disponível.
A colecistite acalculosa é uma inflamação aguda da vesícula biliar sem a presença de cálculos biliares. É uma condição grave que ocorre predominantemente em pacientes criticamente enfermos, como aqueles em unidades de terapia intensiva (UTI) com sepse, trauma, queimaduras, cirurgias maiores ou nutrição parenteral prolongada. Sua importância clínica reside na alta morbimortalidade se não diagnosticada e tratada precocemente. A fisiopatologia envolve isquemia da parede da vesícula, estase biliar e inflamação, muitas vezes desencadeada por fatores sistêmicos. O diagnóstico é desafiador devido à inespecificidade dos sintomas em pacientes sedados ou comatoso. A suspeita deve surgir em pacientes críticos com febre, leucocitose, dor abdominal (se possível avaliar) e piora inexplicada do quadro. A tomografia computadorizada pode mostrar achados sugestivos, como espessamento da parede da vesícula e borramento da gordura perivesicular. A ultrassonografia de abdome é o exame de escolha para confirmar a colecistite acalculosa, por ser não invasiva, portátil e capaz de identificar os sinais clássicos da inflamação da vesícula. O tratamento definitivo é a colecistectomia, mas em pacientes instáveis, a colecistostomia percutânea pode ser uma opção para descompressão e drenagem.
Os achados incluem espessamento da parede da vesícula biliar (>3-4 mm), líquido perivesicular, lama biliar, distensão da vesícula e, em alguns casos, sinal de Murphy ultrassonográfico positivo.
A ultrassonografia é um exame não invasivo, de baixo custo, que pode ser realizado à beira do leito, sem necessidade de contraste ou radiação ionizante, sendo ideal para pacientes instáveis.
Pacientes em estado crítico, com sepse, trauma grave, queimaduras extensas, nutrição parenteral total, ventilação mecânica prolongada ou imunossupressão, têm maior risco de desenvolver colecistite acalculosa.
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