Colecistite Acalculosa: Diagnóstico, Patogenia e Manejo

HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2015

Enunciado

Sobre colecistite acalculosa, assinale a alternativa incorreta:

Alternativas

  1. A) Os sinais e sintomas de colecistite aguda acalculosa não diferem dos da colecistite aguda calculosa.
  2. B) Os fatores que podem desempenhar papel importante na patogenia da colecistite aguda acalculosa incluem infecção, alterações da bile, isquemia, aumento da pressão da ampola de Vater e ativação da via intrínseca da coagulação.
  3. C) Ao contrário da colecistite caculosa, em que existe preponderância do sexo masculino, a colecistite aguda acalculosa incide mais comumente em mulheres.
  4. D) A ultrassonografia é considerada o exame de escolha para estabelecer o diagnóstico de colecistite aguda acalculosa.
  5. E) O tratamento consiste em colecistectomia imediata, pois a presença de gangrena e perfuração não pode ser seguramente excluída no pré-operatório.

Pérola Clínica

Colecistite acalculosa = mais comum em homens e pacientes graves, não em mulheres como a calculosa.

Resumo-Chave

A colecistite acalculosa é uma inflamação aguda da vesícula biliar sem a presença de cálculos, geralmente associada a pacientes criticamente enfermos. Ao contrário da colecistite calculosa, que tem preponderância feminina, a forma acalculosa é mais comum em homens e em situações de estresse fisiológico.

Contexto Educacional

A colecistite acalculosa é uma inflamação aguda da vesícula biliar na ausência de cálculos biliares, representando cerca de 5-10% de todos os casos de colecistite aguda. É uma condição grave, frequentemente associada a pacientes criticamente enfermos em unidades de terapia intensiva, com alta morbimortalidade. Sua importância reside na dificuldade diagnóstica e na necessidade de intervenção rápida. A patogenia envolve múltiplos fatores, incluindo isquemia da parede da vesícula biliar, estase biliar, infecção bacteriana secundária, disfunção da motilidade vesicular e ativação da cascata inflamatória. Os sinais e sintomas podem ser inespecíficos, dificultando o diagnóstico em pacientes já debilitados. A ultrassonografia é o método de imagem inicial, mas a tomografia computadorizada ou a cintilografia biliar (HIDA scan) podem ser úteis em casos duvidosos. O tratamento da colecistite acalculosa é predominantemente cirúrgico, com a colecistectomia de urgência sendo a abordagem padrão ouro, devido ao risco elevado de complicações como gangrena e perfuração. Em pacientes com alto risco cirúrgico, a colecistostomia percutânea para drenagem da vesícula biliar pode ser uma opção temporária ou definitiva. O manejo agressivo é crucial para melhorar o prognóstico desses pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco para colecistite acalculosa?

Os fatores de risco incluem condições de estresse fisiológico grave, como trauma grave, queimaduras extensas, sepse, grandes cirurgias, nutrição parenteral total prolongada, imunossupressão e doenças vasculares, sendo mais comum em homens e idosos.

Como é feito o diagnóstico de colecistite acalculosa?

O diagnóstico é desafiador devido à inespecificidade dos sintomas. A ultrassonografia é o exame de escolha, buscando sinais como espessamento da parede da vesícula biliar, líquido pericolecístico, lama biliar e sinal de Murphy ultrassonográfico, na ausência de cálculos.

Qual o tratamento recomendado para colecistite acalculosa?

O tratamento padrão é a colecistectomia imediata, devido ao alto risco de gangrena e perfuração da vesícula biliar. Em pacientes instáveis ou com alto risco cirúrgico, a colecistostomia percutânea pode ser uma alternativa para drenagem da vesícula.

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