Colecistite Acalculosa em UTI: Manejo e Conduta Ideal

IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 35 anos de idade, internada em Unidade de Terapia Intensiva por miocardite viral há duas semanas. Está sob intubação orotraqueal e com necessidade de terapia de substituição renal em dias alternados. Há dois dias, passou a apresentar febre, piora dos parâmetros infecciosos e instabilidade hemodinâmica, com necessidade de introdução de drogas vasoativas. Realizou investigação de focos infecciosos, sendo a única alteração recente identificada em exame ultrassonográfico de abdome, revelando vesícula biliar hiperdistendida, com paredes íntegras, porém delaminadas, sem cálculos em seu interior.Qual é a conduta indicada para essa paciente neste momento?

Alternativas

  1. A) Antibioticoterapia endovenosa exclusiva
  2. B) Colecistectomia videolaparoscópica
  3. C) Colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE)
  4. D) Colecistostomia percutânea

Pérola Clínica

Colecistite acalculosa em paciente crítico instável → Colecistostomia percutânea é a conduta inicial.

Resumo-Chave

A colecistite acalculosa é uma complicação grave em pacientes críticos, especialmente aqueles em UTI com instabilidade hemodinâmica. Nesses casos, a colecistostomia percutânea é a conduta de escolha, pois oferece drenagem biliar e descompressão da vesícula com menor risco cirúrgico do que a colecistectomia.

Contexto Educacional

A colecistite acalculosa é uma condição inflamatória aguda da vesícula biliar que ocorre na ausência de cálculos biliares. É uma complicação grave e potencialmente fatal, especialmente prevalente em pacientes críticos internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Fatores como sepse, trauma, queimaduras, nutrição parenteral total, ventilação mecânica prolongada e instabilidade hemodinâmica contribuem para sua patogênese, que envolve isquemia, estase biliar e inflamação. O diagnóstico da colecistite acalculosa em pacientes críticos pode ser desafiador devido à inespecificidade dos sintomas e à presença de comorbidades. A suspeita clínica deve ser alta em pacientes com febre, leucocitose, piora dos parâmetros infecciosos e instabilidade hemodinâmica sem outro foco aparente. A ultrassonografia abdominal é o método de imagem inicial, revelando achados como distensão e espessamento da parede vesicular, líquido pericolecístico e lama biliar. A conduta para colecistite acalculosa em pacientes críticos e instáveis hemodinamicamente é a colecistostomia percutânea. Este procedimento minimamente invasivo permite a drenagem da vesícula biliar, aliviando a obstrução e a inflamação, com menor risco do que uma colecistectomia (cirurgia aberta ou laparoscópica) em pacientes de alto risco cirúrgico. A colecistectomia definitiva pode ser considerada após a estabilização do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais fatores de risco predispõem pacientes críticos à colecistite acalculosa?

Pacientes críticos em UTI, com sepse, trauma grave, queimaduras extensas, nutrição parenteral total, ventilação mecânica prolongada e instabilidade hemodinâmica, como a paciente do caso, têm maior risco de desenvolver colecistite acalculosa.

Por que a colecistostomia percutânea é preferível à colecistectomia em pacientes críticos com colecistite acalculosa?

A colecistostomia percutânea é um procedimento minimamente invasivo que permite a drenagem da vesícula biliar e a descompressão, aliviando a inflamação e a sepse biliar, com menor risco de complicações em pacientes hemodinamicamente instáveis e de alto risco cirúrgico.

Quais são os achados ultrassonográficos sugestivos de colecistite acalculosa?

Achados incluem distensão da vesícula biliar (>5 cm no diâmetro transverso), espessamento da parede vesicular (>3-4 mm), líquido pericolecístico, lama biliar e sinal de Murphy ultrassonográfico, na ausência de cálculos.

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