UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2022
Durante uma colecistectomia videolaparoscópica, o cirurgião se depara com um fígado de aspecto cirrótico, associado à discreta circulação colateral, sem ascite. Os exames laboratoriais da véspera mostram hemoglobina de 12,8 g/dL, hematócrito de 39,6%, INR de 1,12, TTPa 30,2 segundos, bilirrubinas totais de 1,0 com direta de 0,4 e indireta de 0,6, Albumina de 4,1 g/dL, função renal preservada. Diante do exposto, assinale a afirmativa correta.
Paciente cirrótico compensado (Child A) com exames laboratoriais normais pode ser submetido à colecistectomia laparoscópica com segurança.
Pacientes com cirrose compensada (Child-Pugh A) e função hepática preservada (evidenciada por INR, bilirrubinas e albumina normais) podem ser submetidos a procedimentos cirúrgicos eletivos, como a colecistectomia videolaparoscópica, com risco aceitável. A biópsia hepática intraoperatória pode ser realizada para confirmar a etiologia da cirrose.
A cirurgia em pacientes com cirrose hepática representa um desafio devido ao risco aumentado de complicações como sangramento, descompensação hepática e infecções. No entanto, a avaliação cuidadosa do estado funcional do fígado é fundamental para determinar a segurança do procedimento. A classificação de Child-Pugh e o escore MELD (Model for End-Stage Liver Disease) são ferramentas essenciais para estratificar o risco. No caso apresentado, o paciente possui um fígado de aspecto cirrótico, mas com exames laboratoriais (hemoglobina, INR, TTPa, bilirrubinas, albumina) dentro da normalidade e ausência de ascite, o que sugere uma cirrose compensada, provavelmente Child-Pugh A. Nesses pacientes, o risco de colecistectomia videolaparoscópica é consideravelmente menor do que em cirróticos descompensados. A presença de discreta circulação colateral é um sinal de hipertensão portal, mas não contraindica a cirurgia se a função hepática estiver preservada. A conduta correta é prosseguir com a cirurgia via laparoscopia, conforme planejado, e realizar uma biópsia hepática. A biópsia é importante para confirmar o diagnóstico de cirrose e investigar sua etiologia, o que pode guiar o manejo futuro do paciente. Converter para cirurgia aberta aumentaria a morbidade sem benefício claro, e abortar a cirurgia atrasaria um tratamento necessário para uma condição que, no momento, parece ser de baixo risco cirúrgico. Deixar um cateter na via biliar não é uma prática padrão para prevenir fístulas em colecistectomias de rotina, mesmo em cirróticos compensados.
A classificação Child-Pugh é crucial para estratificar o risco cirúrgico. Pacientes Child-Pugh A geralmente têm baixo risco e podem ser submetidos a cirurgias eletivas. Pacientes Child-Pugh B apresentam risco moderado a alto, e Child-Pugh C têm risco proibitivo para cirurgias eletivas.
Exames como INR, bilirrubinas totais e diretas, albumina, hemoglobina e plaquetas são essenciais para avaliar a função hepática e o estado de coagulação. Níveis normais desses parâmetros indicam uma cirrose compensada e menor risco cirúrgico.
A biópsia hepática intraoperatória pode ser realizada para confirmar o diagnóstico de cirrose, determinar sua etiologia e avaliar o grau de fibrose, auxiliando no planejamento do acompanhamento pós-operatório e na identificação de condições subjacentes.
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