PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2026
Uma mulher de 65 anos apresenta-se ao departamento de emergência com estado mental alterado. A família relata que ela estava reclamando da dor no quadrante superior direito do abdome, antes de tornar-se alterada mentalmente. Na chegada, ela tem uma temperatura de 39°C, frequência cardíaca de 112 batimentos por minuto e a pressão arterial sistólica é de 80 mmHg, apesar da infusão de cristaloides. No exame físico, ela está visivelmente ictérica e apresenta dor no quadrante superior direito do abdome. Iniciou-se Piperacilina/Tazobactam e foi admitida na unidade de terapia intensiva para monitoramento invasivo e suporte com vasopressores. A paciente descrita é submetida a CPRE com remoção bem-sucedida do cálculo. Um colangiograma de controle é realizado, demonstrando ausência de outros defeitos de enchimento na árvore biliar. Seu quadro séptico se resolve rapidamente e ela é transferida para a enfermaria. O que é verdade em relação ao seu tratamento posterior?
Colangite resolvida por CPRE → Colecistectomia na mesma internação para prevenir recorrência.
Após a resolução da colangite aguda por descompressão biliar, a colecistectomia deve ser realizada antes da alta hospitalar para evitar novos episódios de obstrução biliar e sepse.
A colangite aguda é uma emergência médica frequentemente causada por coledocolitíase. O tratamento inicial foca na estabilização hemodinâmica, antibioticoterapia e descompressão biliar (preferencialmente por CPRE). Uma vez que a fase aguda é controlada, o foco muda para o tratamento definitivo da fonte dos cálculos. A recomendação atual das principais diretrizes (como as de Tóquio 2018) é que pacientes com cálculos na vesícula biliar submetidos a tratamento de coledocolitíase ou colangite realizem a colecistectomia laparoscópica precocemente. Adiar o procedimento aumenta a morbidade e o custo hospitalar devido a recidivas frequentes.
A realização da colecistectomia antes da alta hospitalar reduz significativamente o risco de recorrência de eventos biliares, como nova colangite, colecistite ou pancreatite biliar. Estudos mostram que o adiamento da cirurgia resulta em altas taxas de readmissão hospitalar por complicações da litíase biliar que ainda reside na vesícula.
Embora a esfincterotomia facilite a passagem de pequenos cálculos, ela não impede a formação de novos cálculos na vesícula biliar nem a migração de cálculos maiores que podem impactar novamente ou causar colecistite aguda. Portanto, a vesícula permanece como um foco patológico que deve ser removido.
O momento ideal é assim que o paciente apresente estabilidade hemodinâmica, melhora dos parâmetros inflamatórios e resolução da disfunção orgânica. Geralmente, isso ocorre poucos dias após a descompressão biliar bem-sucedida por CPRE.
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