HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2020
Uma paciente de 44 anos de idade queixa-se de dor abdominal, principalmente em hipocôndrio direito, que se iniciou há dois dias. Relata febre de 38 ºC, associada ao quadro, além de náuseas. Ao exame, encontrava-se em bom estado geral, desidratada +/4+, anictérica, com abdome plano, flácido, doloroso à palpação em hipocôndrio direito e com defesa em hipocôndrio direito. Realizou hemograma, que mostrou 14.500 leucócitos (normal até 10.000), bilirrubinas totais de 0,7 (normal até 1) e amilase de 137 (normal até 110). Fez ultrassom, que mostrou vesícula aumentada de volume, com múltiplos cálculos de até 1,2 cm em seu interior e com paredes delaminadas e com espessura de 6 mm. Com base nesse caso hipotético e nos conceitos médicos a ele associados, julgue o item a seguir. Em geral, no pós-operatório de uma colecistectomia, a introdução de dieta para o paciente deve ser lenta e progressiva, podendo levar, em média, de dois a três dias para assegurar que o paciente receba alta em plenas condições e sem íleo adinâmico.
Colecistectomia VLP → Dieta precoce (6-12h) + Deambulação precoce = ↓ Tempo de internação.
Na colecistectomia eletiva ou de urgência não complicada, a dieta deve ser iniciada precocemente, não havendo necessidade de progressão lenta por 2-3 dias.
A colecistectomia videolaparoscópica é o tratamento padrão para colecistite aguda e colelitíase sintomática. A evolução dos cuidados perioperatórios, consolidada por protocolos como o ACERTO (Aceleração da Recuperação Total Pós-Operatória), demonstrou que a abreviação do jejum pré-operatório e a realimentação precoce reduzem a resposta endócrino-metabólica ao trauma. No caso da colecistite aguda, após a remoção do foco inflamatório, a recuperação da motilidade intestinal é rápida. A ideia de que o paciente necessita de 48 a 72 horas para 'testar' a dieta é um mito que prolonga internações desnecessariamente e aumenta custos hospitalares.
A dieta deve ser iniciada precocemente, geralmente entre 6 a 12 horas após o procedimento, assim que o paciente estiver alerta e sem náuseas significativas. Protocolos modernos como o ERAS (Enhanced Recovery After Surgery) ou ACERTO enfatizam que o jejum prolongado é desnecessário e pode retardar a recuperação, aumentando o estresse metabólico. A progressão para dieta geral costuma ser rápida, permitindo alta hospitalar precoce, muitas vezes no mesmo dia ou em 24 horas.
Não. O íleo adinâmico é incomum em cirurgias de andar superior do abdome realizadas por via laparoscópica, como a colecistectomia. Na verdade, a alimentação precoce estimula o reflexo gastro-cólico e a motilidade intestinal, ajudando a prevenir a estase. A progressão lenta por 2 a 3 dias é uma prática obsoleta que não encontra respaldo na literatura cirúrgica contemporânea para casos não complicados.
Os critérios principais incluem estabilidade hemodinâmica, dor controlada com analgésicos orais, ausência de náuseas ou vômitos persistentes, tolerância à dieta oral e capacidade de deambulação. Em casos de colecistite aguda, a resolução da febre e a tendência de queda dos leucócitos também são avaliadas, mas a introdução da dieta não deve ser o fator limitante de 3 dias.
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