USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Mulher, 31 anos, foi submetida à colecistectomia laparoscópica devido à colecistite aguda litiásica com 01 dia de evolução. O achado intraoperatório evidenciou vesícula biliar inflamada, sem coleções e necrose. O procedimento foi feito sem intercorrências. Qual das prescrições a seguir deve ser realizada imediatamente após a operação?
Colecistite aguda precoce (<72h) operada → ATB profilático ou por apenas 24h se sem necrose.
Em casos de colecistite aguda inicial sem complicações (necrose/perfuração), a cirurgia resolve o foco infeccioso, permitindo a suspensão precoce da antibioticoterapia no pós-operatório.
A colecistectomia laparoscópica é o padrão-ouro para o tratamento da colecistite aguda. A intervenção precoce (idealmente nas primeiras 72 horas do início dos sintomas) reduz o tempo de internação e as complicações técnicas. No pós-operatório, a prioridade é o controle da dor, prevenção de náuseas e vômitos (NVPO) e a deambulação precoce. A prescrição correta evita o uso desnecessário de antibióticos, combatendo a resistência bacteriana e reduzindo custos hospitalares.
A antibioticoterapia terapêutica (prolongada por 4-7 dias) deve ser mantida apenas se houver evidência de perfuração da vesícula, gangrena, necrose extensa ou coleções perivesiculares (Grau II ou III de Tokyo). Em casos de colecistite Grau I (leve) operada precocemente e sem intercorrências, a dose profilática ou por 24h é suficiente.
A analgesia deve ser multimodal, combinando anti-inflamatórios não esteroidais (AINES), como cetoprofeno ou tenoxicam, com analgésicos simples (dipirona ou paracetamol). O uso de opioides deve ser reservado para dor de forte intensidade (resgate), visando reduzir efeitos colaterais como náuseas, vômitos e íleo paralítico.
Seguindo os protocolos de recuperação acelerada (ERAS/ACERTO), a dieta deve ser reiniciada precocemente, geralmente após a recuperação da consciência e ausência de náuseas (cerca de 4-6 horas após o procedimento). A progressão de dieta líquida para sólida ocorre conforme a tolerância do paciente, estimulando o retorno da motilidade intestinal.
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