Colecistectomia Aberta: Dissecção da Vesícula Biliar

HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2022

Enunciado

Na realização da Colecistectomia aberta, após realizar a incisão da serosa da vesícula a 0,5 cm da borda do leito hepático, o cirurgião deverá realizar o seguinte procedimento:

Alternativas

  1. A) Ligadura com fio de seda (duas ligaduras proximais e uma distal), com reparo dos fios entre pinças, e secção da artéria Cística ao nível do infundíbulo da vesícula (saco de Hartmann); após revisão, os fios reparados são seccionados.
  2. B) Dissecção fundocística da serosa da vesícula. Neste momento, é importante manter a dissecção o mais próxima possível da vesícula biliar, para evitar lesão hepática e subsequente sangramento.
  3. C) Tração do fundo da vesícula (na bolsa de Hartman), clampeando área puncionada, com pinça de Foerster (em anel), expondo o ligamento hepatoduodenal (pedículo hepático).
  4. D) Ligadura (duas ligaduras proximais e uma distal) e secção do ducto cístico entre os nós.
  5. E) Cauterização do leito hepático e peritonização do ligamento hepatoduodenal, “sepultando” o coto do ducto cístico.

Pérola Clínica

Colecistectomia: após incisão da serosa, dissecção fundocística próxima à vesícula para evitar lesão hepática.

Resumo-Chave

Na colecistectomia, após a incisão da serosa ao redor da vesícula biliar, o próximo passo é a dissecção da vesícula de seu leito hepático. É crucial manter a dissecção o mais próxima possível da parede da vesícula para minimizar o risco de lesão do parênquima hepático e sangramento, garantindo uma cirurgia segura.

Contexto Educacional

A colecistectomia aberta é um procedimento cirúrgico comum para a remoção da vesícula biliar, indicada principalmente para colelitíase sintomática, colecistite aguda ou crônica. Embora a colecistectomia laparoscópica seja a abordagem preferencial atualmente, a técnica aberta ainda é realizada em casos selecionados ou quando há contraindicações para a via laparoscópica. O conhecimento detalhado dos passos cirúrgicos é fundamental para a segurança do paciente e para a formação de residentes. Após a exposição da vesícula biliar e a incisão da serosa que a recobre no leito hepático, a dissecção da vesícula de seu leito é um passo crítico. A técnica fundocística (do fundo para o infundíbulo) é frequentemente empregada, permitindo uma visualização progressiva das estruturas. A fisiopatologia da colelitíase e suas complicações (como colecistite) justificam a remoção da vesícula, que atua como reservatório de cálculos. Durante a dissecção, é imperativo manter-se o mais próximo possível da parede da vesícula biliar. Esta proximidade minimiza o risco de lesão do parênquima hepático, que é altamente vascularizado e pode sangrar profusamente se traumatizado. Além disso, uma dissecção cuidadosa e justa à vesícula facilita a identificação segura do ducto cístico e da artéria cística no triângulo de Calot, evitando lesões iatrogênicas do ducto biliar comum, uma complicação grave. O prognóstico pós-colecistectomia é geralmente excelente, com resolução dos sintomas na maioria dos pacientes.

Perguntas Frequentes

Qual a importância de manter a dissecção próxima à vesícula biliar durante a colecistectomia?

Manter a dissecção o mais próxima possível da parede da vesícula biliar é crucial para evitar lesões do parênquima hepático, que podem resultar em sangramento significativo. Essa técnica também ajuda a preservar as estruturas adjacentes e facilita a identificação segura do ducto e artéria cística.

Quais são os passos iniciais de uma colecistectomia aberta após a incisão da serosa?

Após a incisão da serosa da vesícula a aproximadamente 0,5 cm da borda do leito hepático, o próximo passo é a dissecção da vesícula biliar de seu leito hepático, geralmente começando pelo fundo (técnica fundocística) e progredindo em direção ao infundíbulo e ao triângulo de Calot.

Quais são os riscos associados a uma dissecção inadequada da vesícula biliar?

Uma dissecção inadequada pode levar a sangramento do leito hepático, lesão de estruturas biliares adjacentes (como o ducto biliar comum), perfuração da vesícula com extravasamento de bile e cálculos, e dificuldade na identificação anatômica segura do ducto e artéria cística, aumentando o risco de complicações.

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