Colangite Esclerosante Primária e Retocolite Ulcerativa

ENARE/ENAMED — Prova 2026

Enunciado

Homem de 38 anos retorna a ambulatório de clínica médica de um hospital de atenção secundária, onde faz acompanhamento clínico de retocolite ulcerativa. Analisando os exames complementares solicitados na última consulta, o médico atendente observa elevações significativas da fosfatase alcalina e gama-GT, com discreta elevação dos níveis séricos de aminotransferases, sem hiperbilirrubinemia. Questionado, o paciente refere apenas leve desconforto no hipocôndrio direito. Ao exame físico, não há icterícia, febre ou presença de sinal de Murphy. Considerando a doença de base do caso, o exame complementar indicado e seu resultado provável são, respectivamente,

Alternativas

  1. A) tomografia computadorizada de abdome; lesão tumoral presente ao nível do hilo hepático.
  2. B) colangiopancreatografia retrógrada endoscópica; presença de litíase impactada no colédoco terminal.
  3. C) colangiorressonância; múltiplas estenoses intercaladas na árvore biliar, com áreas normais ou dilatadas de permeio.
  4. D) ultrassonografia abdominal total; espessamento da parede da vesícula biliar com nodulação no interior, sem sombra acústica.

Pérola Clínica

Retocolite Ulcerativa + Colestase (FA/GGT elevadas) → Colangite Esclerosante Primária = Colangiorressonância com estenoses multifocais.

Resumo-Chave

A Colangite Esclerosante Primária (CEP) é uma complicação hepatobiliar comum da Retocolite Ulcerativa, caracterizada por um padrão de colestase nos exames laboratoriais; a colangiorressonância é o exame de escolha para o diagnóstico, revelando estenoses e dilatações segmentares da árvore biliar.

Contexto Educacional

A Colangite Esclerosante Primária (CEP) é uma doença colestática crônica e progressiva que leva à inflamação e fibrose dos ductos biliares intra e/ou extra-hepáticos. É fortemente associada às Doenças Inflamatórias Intestinais (DII), particularmente a Retocolite Ulcerativa, sendo essencial a investigação em pacientes com DII que apresentam alterações em exames de função hepática. A fisiopatologia exata ainda não é completamente compreendida, mas envolve fatores genéticos, imunológicos e ambientais. O diagnóstico da CEP é suspeitado por um padrão de colestase nos exames laboratoriais (elevação de fosfatase alcalina e gama-GT) e confirmado por exames de imagem da árvore biliar. A colangiorressonância (CPRM) é o método de escolha devido à sua natureza não invasiva e alta capacidade de detectar as estenoses multifocais e dilatações segmentares ("aspecto em colar de contas") que são patognomônicas da doença. A CPRE, embora mais invasiva, pode ser utilizada para fins diagnósticos quando a CPRM é inconclusiva, ou para intervenções terapêuticas como dilatação de estenoses dominantes. O tratamento da CEP é desafiador, com foco no manejo dos sintomas e complicações, e o transplante hepático sendo a única cura definitiva.

Perguntas Frequentes

Qual a relação entre Retocolite Ulcerativa e Colangite Esclerosante Primária?

A Colangite Esclerosante Primária (CEP) é a manifestação hepatobiliar mais comum e grave da Retocolite Ulcerativa, ocorrendo em cerca de 5-10% dos pacientes com DII, especialmente RCU.

Quais exames laboratoriais sugerem Colangite Esclerosante Primária?

A CEP é caracterizada por um padrão de colestase, com elevação persistente da fosfatase alcalina e gama-GT, frequentemente com aminotransferases normais ou discretamente elevadas.

Por que a colangiorressonância é o exame de escolha para CEP?

A colangiorressonância (CPRM) é um método não invasivo e altamente sensível para visualizar a árvore biliar, detectando as estenoses multifocais e dilatações características da CEP, sem os riscos da CPRE.

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