Colangite Esclerosante Primária: Diagnóstico e Associações

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2020

Enunciado

Um homem com 34 anos de idade, em acompanhamento e tratamento ambulatorial há 5 anos por retocolite ulcerativa, é internado em hospital terciário para investigação diagnóstica de quadro de prurido generalizado. Seu exame físico é normal, salvo pela presença de escoriações difusas e de cicatriz cutânea antiga no membro inferior direito por pioderma gangrenoso. Exames laboratoriais recentes revelam níveis séricos extremamente elevados (cerca de 10 vezes acima do limite superior normal [LSN]) da fosfase alcalina e níveis cerca de 2 vezes o LSN das aminotransferases, sendo normais os níveis séricos de bilirrubinas. As concentrações sanguíneas de IgG, em particular da fração IgG4, são normais e as pesquisas de anticorpos anti-mitocôndria, anti-LKM1 e anti-músculo liso se revelam negativas. É solicitada uma colangiopancreatografia por ressonância magnética, que revela a presença de múltiplas estenoses fibróticas nas vias biliares intra-hepáticas, sendo tais estenoses entremeadas por dilatações saculares de áreas aparentemente normais, conferindo um aspecto em ""contas de rosário"". Qual é o diagnóstico do quadro colestático desse paciente?

Alternativas

  1. A) Peri-hepatite aguda.
  2. B) Cirrose biliar primária.
  3. C) Colangite esclerosante.
  4. D) Hepatite crônica autoimune.

Pérola Clínica

Retocolite ulcerativa + colestase + "contas de rosário" na colangioRM → Colangite Esclerosante Primária.

Resumo-Chave

A Colangite Esclerosante Primária (CEP) é uma doença colestática crônica que frequentemente se associa à Retocolite Ulcerativa. O diagnóstico é fortemente sugerido pela elevação da fosfatase alcalina e pelo padrão de estenoses e dilatações ("contas de rosário") nas vias biliares na colangiopancreatografia por ressonância magnética.

Contexto Educacional

A Colangite Esclerosante Primária (CEP) é uma doença colestática crônica e progressiva caracterizada por inflamação e fibrose dos ductos biliares intra e/ou extra-hepáticos, levando à estenose e dilatação. É uma condição rara, mas grave, que pode evoluir para cirrose e insuficiência hepática, sendo uma indicação comum para transplante de fígado. A CEP tem uma forte associação com doenças inflamatórias intestinais, especialmente a Retocolite Ulcerativa, presente em até 80% dos casos de CEP. O diagnóstico é suspeitado em pacientes com colestase (prurido, fadiga, elevação da fosfatase alcalina) e confirmado pela colangiopancreatografia (CPRM ou CPRE), que revela o padrão patognomônico de "contas de rosário" devido às estenoses e dilatações biliares. O tratamento da CEP é principalmente de suporte, visando aliviar os sintomas e retardar a progressão da doença, embora não haja cura. O ácido ursodesoxicólico pode ser usado, mas não altera a sobrevida. O transplante hepático é a única opção curativa para a doença em estágio terminal. O acompanhamento regular é essencial devido ao risco aumentado de colangiocarcinoma.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados laboratoriais na Colangite Esclerosante Primária?

Os achados laboratoriais típicos incluem elevação acentuada da fosfatase alcalina, com aminotransferases discretamente elevadas e bilirrubinas que podem estar normais ou elevadas em fases mais avançadas.

Como a colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) auxilia no diagnóstico da CEP?

A CPRM é crucial para o diagnóstico da CEP, revelando o padrão característico de múltiplas estenoses e dilatações das vias biliares intra e/ou extra-hepáticas, conhecido como "contas de rosário".

Qual a relação entre Colangite Esclerosante Primária e Retocolite Ulcerativa?

A CEP está fortemente associada à Retocolite Ulcerativa, ocorrendo em cerca de 5-10% dos pacientes com DII, e é a manifestação extraintestinal mais comum e grave da Retocolite Ulcerativa.

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