Colangite Esclerosante Primária e Retocolite Ulcerativa

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2022

Enunciado

Homem, 34 anos de idade, apresenta níveis de fosfatase alcalina persistentemente elevados. Retocolite ulcerativa diagnosticada há 3 anos. Exame físico e demais exames laboratoriais sem alterações. Qual é o diagnóstico que melhor explica a alteração apresentada?

Alternativas

  1. A) Calculose biliar.
  2. B) Colangite esclerosante primária.
  3. C) Hepatite medicamentosa.
  4. D) Hepatite autoimune.

Pérola Clínica

RCU + FA elevada persistente + colestase = Colangite Esclerosante Primária (CEP).

Resumo-Chave

A colangite esclerosante primária (CEP) é uma doença colestática crônica progressiva, fortemente associada à retocolite ulcerativa. A elevação persistente da fosfatase alcalina em um paciente com RCU deve levantar a suspeita de CEP, mesmo na ausência de outros sintomas hepáticos.

Contexto Educacional

A colangite esclerosante primária (CEP) é uma doença colestática crônica e progressiva, caracterizada por inflamação e fibrose dos ductos biliares intra e/ou extra-hepáticos, levando à estenose e dilatação. É uma condição rara, mas com uma forte associação com a doença inflamatória intestinal (DII), especialmente a retocolite ulcerativa (RCU), presente em 70-80% dos pacientes com CEP. A CEP é frequentemente assintomática por longos períodos, sendo descoberta por elevação persistente da fosfatase alcalina em exames de rotina. Outros sintomas podem incluir fadiga, prurido, icterícia e dor abdominal. O diagnóstico é feito pela combinação de achados laboratoriais (colestase) e de imagem, como a colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) ou a colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE), que mostram estenoses multifocais e dilatações dos ductos biliares ('aspecto em colar de contas'). Não há tratamento curativo para a CEP, e a doença progride para cirrose biliar e insuficiência hepática, necessitando de transplante hepático. O manejo visa aliviar os sintomas e prevenir complicações, como infecções biliares e colangiocarcinoma, para o qual os pacientes com CEP têm um risco aumentado. O acompanhamento regular é essencial para monitorar a progressão da doença e rastrear complicações.

Perguntas Frequentes

Qual a relação entre retocolite ulcerativa e colangite esclerosante primária?

A colangite esclerosante primária (CEP) é a manifestação hepatobiliar mais comum da doença inflamatória intestinal, ocorrendo em 70-80% dos pacientes com CEP que também têm retocolite ulcerativa (RCU). A patogênese exata é desconhecida, mas envolve fatores genéticos e imunológicos compartilhados.

Quais exames são indicados para diagnosticar colangite esclerosante primária?

Além da elevação da fosfatase alcalina, o diagnóstico é feito por colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) ou colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE), que revelam estenoses multifocais e dilatações dos ductos biliares, conferindo um aspecto em 'colar de contas'.

Quais são as complicações da colangite esclerosante primária?

As complicações incluem cirrose biliar, insuficiência hepática, infecções biliares recorrentes (colangites bacterianas), deficiência de vitaminas lipossolúveis e um risco significativamente aumentado de colangiocarcinoma, que é um câncer agressivo das vias biliares.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo