Colangite Biliar Primária: Diagnóstico e Investigação

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 52 anos de idade, apresenta prurido e fadiga. Ela nega outras doenças e não usa medicamentos ou suplementos. Exames laboratoriais: ALT = 134 U/L (VR < 40 U/L), AST = 72 U/L (VR < 40 U/L), fosfatase alcalina = 653 U/L (VR < 120 U/L) e bilirrubina total = 1,1 mg/dL (VR até 1,10 mg/dL). Ultrassonografia abdominal sem alterações. Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual é o exame mais adequado para investigação?

Alternativas

  1. A) Pesquisa do anticorpo anti-mitocôndria.
  2. B) Colangiopancreatografia endoscópica retrógrada.
  3. C) Colangiorressonância.
  4. D) Pesquisa de anti-HCV.

Pérola Clínica

Mulher + Prurito + ↑ Fosfatase Alcalina + USG normal → Solicitar Anti-mitocôndria (AMA).

Resumo-Chave

A Colangite Biliar Primária (CBP) é a principal hipótese para mulheres de meia-idade com colestase isolada e exames de imagem de vias biliares normais.

Contexto Educacional

A Colangite Biliar Primária é uma doença autoimune caracterizada pela destruição progressiva dos pequenos ductos biliares interlobulares. Isso leva à colestase crônica, que pode evoluir para cirrose biliar e insuficiência hepática. O tratamento precoce com Ácido Ursodesoxicólico (UDCA) é fundamental para retardar a progressão da doença e melhorar o prognóstico. O diagnóstico baseia-se no tripé: colestase bioquímica, sorologia (AMA) positiva e, se necessário, histologia compatível.

Perguntas Frequentes

Qual o perfil clássico do paciente com Colangite Biliar Primária (CBP)?

O perfil típico é de mulheres entre 40 e 60 anos. Os sintomas iniciais mais comuns são fadiga e prurito (muitas vezes noturno). Laboratorialmente, observa-se um padrão de colestase, com elevação importante da Fosfatase Alcalina e GGT, enquanto as aminotransferases (ALT/AST) e a bilirrubina podem estar normais ou levemente alteradas nas fases iniciais.

Por que o anticorpo antimitocôndria (AMA) é o exame de escolha?

O AMA é altamente sensível e específico para CBP, estando presente em mais de 95% dos pacientes. Sua presença em um contexto de colestase bioquímica (FA > 1,5x o limite superior) é suficiente para o diagnóstico, muitas vezes dispensando a biópsia hepática. É o marcador sorológico padrão-ouro para diferenciar CBP de outras doenças colestáticas.

Quando solicitar exames de imagem das vias biliares?

A ultrassonografia de abdome é sempre o primeiro passo para excluir obstruções extra-hepáticas (cálculos, tumores). Se a USG é normal e o AMA é positivo, o diagnóstico de CBP é provável. A colangiorressonância seria mais útil se houvesse suspeita de Colangite Esclerosante Primária (CEP), que tipicamente afeta grandes ductos e apresenta dilatações/estenoses em 'contas de rosário'.

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