UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026
Mulher de 55 anos, obesa, com quadro de colestase hepática de início há alguns meses, apresenta resultado de USG mostrando ausência de dilatação de vias biliares ou cálculos na vesícula. A sorologia com anticorpo x mitocôndria é positiva. Os achados clínicos que melhor caracterizam esse diagnóstico principal são:
CBP = Mulher + Prurido + Fadiga + Hiperpigmentação + Anticorpo Antimitocôndria (+).
A Colangite Biliar Primária (CBP) é uma doença autoimune que destrói pequenos ductos biliares, cursando com colestase crônica, prurido intenso e risco de cirrose biliar.
A Colangite Biliar Primária (CBP) é uma hepatopatia colestática crônica de etiologia autoimune, caracterizada pela destruição inflamatória dos ductos biliares interlobulares. É muito mais comum em mulheres de meia-idade. O quadro clínico clássico evolui de fadiga e prurido (que piora à noite) para icterícia franca, hiperpigmentação da pele e sinais de má absorção de vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K). O diagnóstico baseia-se na tríade: colestase bioquímica (elevação de fosfatase alcalina e GGT), presença do anticorpo antimitocôndria (AMA) e, se necessário, histologia mostrando ductopenia e infiltrado inflamatório portal. A ausência de dilatação de vias biliares no USG é crucial para excluir causas obstrutivas extra-hepáticas (coledocolitíase ou neoplasias). Complicações a longo prazo incluem cirrose biliar, hipertensão portal e carcinoma hepatocelular.
O Anticorpo Antimitocôndria (AMA) é o marcador padrão-ouro, presente em mais de 95% dos pacientes com Colangite Biliar Primária. Sua presença em um contexto de fosfatase alcalina elevada é altamente sugestiva do diagnóstico, muitas vezes dispensando a biópsia hepática.
Além do prurido e fadiga, pacientes com CBP frequentemente apresentam hiperpigmentação cutânea, xantelasmas (depósitos de colesterol nas pálpebras), osteoporose (devido à má absorção de vitamina D) e associações com outras doenças autoimunes, como a Síndrome de Sjögren.
O tratamento de primeira linha é o Ácido Ursodesoxicólico (UDCA), que retarda a progressão da doença, melhora os parâmetros bioquímicos e prolonga a sobrevida livre de transplante ao modificar o pool de ácidos biliares.
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