Colangite Grave: Descompressão Biliar em Cenário de Poucos Recursos

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

O tratamento inicial realizado em um paciente com quadro de cólica biliar e colangite não apresenta efeito, e ele rapidamente evolui com rebaixamento do nível de consciência, hipotensão e diurese drasticamente diminuída. O profissional se encontra em um hospital que não dispõe de muitos recursos. Qual seria a conduta mais indicada?

Alternativas

  1. A) Colecistectomia videolaparoscópica de urgência.
  2. B) Ampliar o espectro antibiótico.
  3. C) Anastomose biliodigestória.
  4. D) Colecistectomia convencional de urgência.
  5. E) Descompressão do colédoco com um tubo em T.

Pérola Clínica

Colangite grave com choque e recursos limitados → Descompressão biliar urgente com tubo em T.

Resumo-Chave

A evolução para rebaixamento do nível de consciência, hipotensão e oligúria indica choque séptico, uma complicação grave da colangite. Em um cenário de recursos limitados, a descompressão biliar urgente é a prioridade para controlar a fonte da sepse, e a colocação de um tubo em T no colédoco é uma opção viável para drenagem.

Contexto Educacional

A colangite aguda é uma infecção grave da árvore biliar, geralmente associada à obstrução do ducto biliar comum. A tríade de Charcot (febre, icterícia e dor em hipocôndrio direito) é clássica, mas a apresentação pode variar. Quando a colangite evolui para um quadro de choque séptico, caracterizado por hipotensão, rebaixamento do nível de consciência e disfunção orgânica (como oligúria), é classificada como colangite grave (grau III, de acordo com as diretrizes de Tóquio). Esta condição é uma emergência médica com alta mortalidade. O tratamento da colangite grave exige medidas de suporte intensivo, antibioticoterapia de amplo espectro e, crucialmente, a descompressão urgente da via biliar. A descompressão visa aliviar a obstrução e drenar a bile infectada, que é a fonte da sepse. As opções preferenciais incluem a Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE) com esfincterotomia e colocação de stent ou drenagem nasobiliar, ou a drenagem biliar percutânea trans-hepática (DBPT) em casos de falha ou impossibilidade da CPRE. No entanto, em cenários de hospitais com poucos recursos, onde CPRE ou DBPT podem não estar disponíveis, a descompressão cirúrgica torna-se uma alternativa vital. A colocação de um tubo em T no colédoco é uma técnica cirúrgica que permite a drenagem externa da via biliar, aliviando a pressão e a infecção. Embora a colecistectomia possa ser necessária posteriormente, a prioridade em um paciente chocado é a descompressão imediata da via biliar para controlar a sepse e estabilizar o paciente.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios para classificar uma colangite como grave?

A colangite é classificada como grave (grau III) quando há disfunção de múltiplos órgãos, como hipotensão, rebaixamento do nível de consciência, disfunção renal (oligúria), disfunção respiratória ou disfunção hepática.

Por que a descompressão biliar é a conduta mais indicada em colangite grave com choque?

A descompressão biliar é crucial para remover a obstrução e drenar a bile infectada, que é a fonte da sepse. Sem a remoção da fonte, a antibioticoterapia pode ser ineficaz e o choque séptico pode progredir.

Em um hospital com poucos recursos, quais as opções para descompressão biliar?

Em hospitais com poucos recursos e sem acesso a CPRE ou drenagem percutânea, a descompressão cirúrgica com colocação de um tubo em T no colédoco é uma opção para drenagem externa da via biliar.

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