HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2025
Paciente de 70 anos, hipertensa e diabética da entrada na unidade de emergência com dor em quadrante superior direito do abdome de forte intensidade, irradiação para dorso e evolução de 24h, acompanhada de náuseas, vômitos e urina escura. Ao exame está prostrada e sonolenta, febril, T de 38,8 graus Celsius, desidratada 2+/4+, Ictérica 2+/4+, com FC de 110, PA de 80 x 60 mmHg e abdomen distendido, peristalse diminuída, doloroso a palpação profunda do hipocôndrio direito com descompressão súbita dolorosa. Exames: Hb: 12,2, Ht: 42, Leuco: 25000, Bastões: 15%, AST: 500 UI, ALT: 600 UI, Fosfatase Alcalina: 700 UI, Amilase: 200 UI, Lipase: 550 UI, Bilirrubina total: 5 mg% (Direta: 4,0 mg%). O diagnóstico mais provável é:
Dor QSD + febre + icterícia (Tríade de Charcot) + hipotensão + alteração nível consciência (Pêntade de Reynolds) = Colangite Aguda grave.
O paciente apresenta a Tríade de Charcot (dor em QSD, febre, icterícia) e elementos da Pêntade de Reynolds (hipotensão, sonolência), indicando colangite aguda grave. A leucocitose com desvio à esquerda, elevação de enzimas hepáticas e bilirrubina direta corroboram o diagnóstico de infecção biliar ascendente com sepse.
A colangite aguda é uma infecção bacteriana das vias biliares, geralmente secundária à obstrução do ducto biliar comum, mais comumente por cálculos (coledocolitíase), estenoses ou tumores. É uma emergência médica que pode rapidamente progredir para sepse e choque, com alta morbimortalidade se não tratada prontamente. O reconhecimento precoce é fundamental para o residente. A apresentação clínica clássica é a Tríade de Charcot: dor em quadrante superior direito do abdome, febre e icterícia. Em casos mais graves, a infecção pode evoluir para sepse, manifestando-se com a Pêntade de Reynolds, que inclui a Tríade de Charcot mais hipotensão e alteração do nível de consciência. Os exames laboratoriais tipicamente revelam leucocitose com desvio à esquerda, elevação de enzimas hepáticas (AST, ALT, FA) e hiperbilirrubinemia, predominantemente direta. O diagnóstico é clínico e laboratorial, complementado por exames de imagem como ultrassonografia, tomografia computadorizada ou colangiorressonância para identificar a causa da obstrução. O tratamento envolve estabilização hemodinâmica, antibioticoterapia empírica de amplo espectro e, crucialmente, a descompressão da via biliar obstruída. A CPRE é o método preferencial para desobstrução, mas a drenagem percutânea ou cirurgia podem ser necessárias em casos selecionados. A falha em descomprimir a via biliar pode levar a um desfecho fatal.
Os sinais clássicos são a Tríade de Charcot: dor em quadrante superior direito do abdome, febre e icterícia. Em casos graves, pode evoluir para a Pêntade de Reynolds, que adiciona hipotensão e alteração do nível de consciência, indicando sepse e necessidade de intervenção urgente.
A principal diferença é a presença de icterícia na colangite, que é rara na colecistite não complicada, pois a obstrução biliar na colecistite geralmente afeta apenas o ducto cístico. Além disso, a colangite frequentemente apresenta sinais de sepse mais proeminentes e elevação mais significativa de bilirrubinas e fosfatase alcalina.
O tratamento inicial inclui suporte hemodinâmico, antibioticoterapia de amplo espectro que cubra germes entéricos e anaeróbios, e, crucialmente, a descompressão biliar. A descompressão pode ser realizada por CPRE (colangiopancreatografia retrógrada endoscópica), drenagem percutânea ou cirurgia, dependendo da gravidade e etiologia.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo