INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012
Uma mulher de 45 anos de idade foi admitida na Unidade de Emergência com febre, dor no hipocôndrio D e vômitos há 48 horas. Apresenta piora progressiva do quadro e, no momento, encontra-se sonolenta, confusa, com facies de sofrimento, desidratada (+++/4+) e ictérica (++/4+), com extremidades frias, pulsos finos, sem cianose. Sinais vitais: T = 39°C, FC = 130 bpm, FR = 35 irpm, PA = 110 x 60 mmHg. Ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações. Abdome com distensão abdominal moderada, dor à palpação superficial do epigástrio e hipocôndrio D, sem sinais de irritação peritoneal, com ruídos hidroaéreos reduzidos. Exames complementares: hematócrito = 36% (valor de referência: 42± 6%), hemoglobina = 12,3 g/dL (valor de referência: 13,82 ± 2,5 g /dL), leucócitos = 18.200 /mm³ (valor de referência: 3.800 a10.600/mm³) com 17% de bastões, Proteína C Reativa = 8,3 mg/dL (valor de referência = 0,3 a 0,5 mg/dL), bilirrubina total = 5,2 mg/dL (valor de referência = até 1,2 mg/dL), bilirrubina direta = 4,1 mg/dL (valor de referência = até 0,4 mg/dL), glicemia = 300 mg/dL (valor de referência < 99 mg/dL). Ultrassonografia abdominal: ausência de líquido livre em cavidade peritoneal, distensão de alças que prejudica a técnica do exame, vias biliares dilatadas. Além da reposição volêmica, qual a conduta inicial requerida para o caso?
Tríade de Charcot + Hipotensão + Confusão Mental = Pêntade de Reynolds (Colangite Grave).
A colangite aguda grave exige estabilização hemodinâmica e antibioticoterapia imediata antes da descompressão biliar definitiva.
A colangite aguda é uma emergência médica causada pela obstrução biliar associada à infecção bacteriana ascendente. A fisiopatologia envolve o aumento da pressão intraductal, que facilita a translocação bacteriana para a circulação sistêmica. O diagnóstico é clínico, apoiado por exames laboratoriais que mostram colestase e leucocitose, e confirmado por imagem (USG ou TC) demonstrando dilatação biliar. O manejo segue os princípios do Surviving Sepsis Campaign: reconhecimento precoce, coleta de culturas, antibioticoterapia precoce e controle da fonte. Na colangite, o controle da fonte é a descompressão biliar. Casos leves podem responder apenas a antibióticos, mas casos graves (Reynolds) exigem drenagem urgente via CPRE, percutânea ou, raramente, cirúrgica.
A Pêntade de Reynolds é uma manifestação clínica de colangite aguda grave, caracterizada pela presença da Tríade de Charcot (dor abdominal, febre com calafrios e icterícia) acrescida de hipotensão arterial e alteração do nível de consciência (confusão mental ou sonolência). Sua presença indica sepse de origem biliar e necessidade de intervenção imediata.
A conduta inicial baseia-se no suporte hemodinâmico (reposição volêmica vigorosa) e início imediato de antibioticoterapia de amplo espectro para cobrir gram-negativos e anaeróbios. Após a estabilização clínica inicial, o paciente deve ser submetido à descompressão das vias biliares, preferencialmente por via endoscópica (CPRE).
Embora a drenagem biliar seja o tratamento definitivo, a questão pergunta pela 'conduta inicial requerida' além da reposição volêmica. Em um cenário de sepse biliar, o controle do foco infeccioso sistêmico com antibióticos deve ocorrer simultaneamente ou imediatamente após o início da ressuscitação volêmica.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo