Colangite Aguda Grave: Diagnóstico e Tratamento com CPRE

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Durante o plantão em uma unidade de terapia intensiva (UTI), o médico do serviço de emergência solicita vaga para um paciente de 59 anos de idade, com quadro de confusão mental e pressão arterial (PA) de 90 x 60mmhg. Sabendo que o paciente já estava internado no andar há três dias, você pega o prontuário e observa que o paciente deu entrada no hospital com queixa de dor no hipocôndrio direito. Os exames laboratoriais revelam bilirrubina total = 9,4mg/dl e bilirrubina direta = 6,6mg/dl. A temperatura era de 38,5ºC. Diante disso, qual deve ser o exame mais útil no diagnóstico e até mesmo no tratamento de sua condição?

Alternativas

  1. A) Ressonância magnética (RM).
  2. B) Tomografia computadorizada (TC) de alta resolução.
  3. C) Octreoscan.
  4. D) Enteroscopia.
  5. E) Colangiopancreatografia retrógada endoscópica (CPRE).

Pérola Clínica

Pentade de Reynolds (febre, icterícia, dor RUQ, hipotensão, confusão) → Colangite aguda grave = CPRE urgente.

Resumo-Chave

O paciente apresenta a Pentade de Reynolds, indicativa de colangite aguda grave com sepse. A CPRE é o exame mais útil pois permite tanto o diagnóstico (visualização da obstrução) quanto o tratamento (drenagem biliar), sendo crucial para reverter o quadro séptico.

Contexto Educacional

A colangite aguda é uma infecção grave do trato biliar, geralmente causada por obstrução e estase biliar. É uma condição com alta morbimortalidade se não tratada prontamente. A apresentação clínica varia, mas a presença da Tríade de Charcot (febre, dor no hipocôndrio direito e icterícia) é clássica, e a Pentade de Reynolds (Tríade de Charcot mais hipotensão e alteração do estado mental) indica um quadro de colangite supurativa grave, frequentemente associada a choque séptico. O diagnóstico é clínico e laboratorial (elevação de bilirrubinas, enzimas hepáticas, leucocitose), com exames de imagem (ultrassonografia, TC ou RM) para identificar a causa da obstrução. No entanto, em casos graves como o descrito, a prioridade é a descompressão biliar. A CPRE é o método de escolha, pois permite a visualização direta da via biliar, a remoção de cálculos, a dilatação de estenoses e a inserção de próteses para garantir a drenagem. O tratamento da colangite aguda envolve antibioticoterapia de amplo espectro e drenagem biliar. A drenagem pode ser endoscópica (CPRE), percutânea ou cirúrgica, dependendo da etiologia e da condição do paciente. A CPRE é preferível por ser menos invasiva e permitir a resolução da obstrução. O prognóstico depende da gravidade inicial e da rapidez da intervenção, sendo crucial a identificação precoce e o manejo agressivo para evitar complicações como abscesso hepático e sepse refratária.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da colangite aguda grave?

A colangite aguda grave é caracterizada pela Pentade de Reynolds, que inclui a Tríade de Charcot (febre, icterícia, dor no hipocôndrio direito) somada a hipotensão e alteração do estado mental. Estes sinais indicam uma emergência médica.

Por que a CPRE é o exame mais útil na colangite aguda?

A CPRE (Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica) é o exame mais útil porque permite não apenas o diagnóstico preciso da causa da obstrução biliar, mas também a intervenção terapêutica imediata, como a drenagem da via biliar, que é fundamental para o tratamento da sepse.

Quais são as principais causas de colangite aguda?

As principais causas de colangite aguda são a coledocolitíase (cálculos na via biliar comum), estenoses benignas ou malignas da via biliar, e disfunção do esfíncter de Oddi. A obstrução biliar leva à proliferação bacteriana e inflamação.

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