Colangite Aguda: Diagnóstico e Manejo da Pêntade de Reynolds

UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 55 anos de idade, sexo feminino, evoluiu com prurido, colúria, hipocolia fecal, dor no hipocôndrio direito e icterícia há 10 dias. Os exames laboratoriais demonstraram padrão colestático e a ultrassonografia abdominal confirmou dilatação das vias biliares intra e extra-hepáticas, com provável cálculo impactado no colédoco distal. Essa paciente já fora submetida à Gastrectomia total DII com reconstrução em Y de Roux e Colecistectomia há 5 anos por neoplasia de corpo gástrico.Nesse caso, a paciente evoluiu antes da definição terapêutica com febre, confusão mental e hipotensão. Ante a isso, assinale alternativa que não está adequada.

Alternativas

  1. A) Paciente evoluiu com colangite aguda, expressa pela tríade de Charcot.
  2. B) Início de antibiótico imediatamente.
  3. C) As bactérias gram-negativas são os agentes mais comuns.
  4. D) Hidratação com correção hidroeletrolítica.
  5. E) Diagnóstico de Pêntade de Reynolds.

Pérola Clínica

Febre + dor HD + icterícia (Tríade Charcot) + hipotensão + confusão mental = Pêntade de Reynolds, indicando colangite aguda grave.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sintomas clássicos de colangite aguda (dor em hipocôndrio direito, febre, icterícia) que progrediram para um quadro grave com hipotensão e confusão mental, caracterizando a Pêntade de Reynolds. Isso indica uma colangite supurativa e exige tratamento imediato com antibióticos e drenagem biliar.

Contexto Educacional

A colangite aguda é uma infecção bacteriana das vias biliares, geralmente secundária a uma obstrução, sendo a coledocolitíase a causa mais comum. É uma emergência médica que pode rapidamente progredir para sepse e choque. A identificação precoce e o manejo agressivo são cruciais para a sobrevida do paciente. Pacientes com histórico de cirurgias biliares ou gástricas (como Y de Roux) podem ter anatomia alterada, dificultando o acesso e a drenagem. O diagnóstico é baseado na apresentação clínica, exames laboratoriais e de imagem. A Tríade de Charcot (febre, dor em hipocôndrio direito e icterícia) é clássica, mas a presença de hipotensão e alteração do estado mental eleva o quadro para a Pêntade de Reynolds, indicando uma colangite supurativa grave e iminente risco de choque séptico. Os exames laboratoriais tipicamente mostram leucocitose, elevação de bilirrubinas e enzimas colestáticas. A ultrassonografia abdominal é o exame inicial, mas a tomografia ou colangioressonância podem ser necessárias para confirmar a obstrução. O tratamento da colangite aguda grave (Pêntade de Reynolds) é uma emergência e envolve estabilização do paciente (hidratação, suporte hemodinâmico), antibioticoterapia empírica de amplo espectro com cobertura para gram-negativos e anaeróbios, e drenagem biliar urgente. A drenagem pode ser realizada por CPRE (colangiopancreatografia retrógrada endoscópica), drenagem percutânea trans-hepática ou, em casos selecionados, cirurgia. O atraso na drenagem biliar está associado a maior morbimortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para colangite aguda?

Os critérios de Tóquio 2018 para colangite aguda incluem evidência de inflamação sistêmica (febre, leucocitose), evidência de colestase (icterícia, enzimas hepáticas elevadas) e evidência de imagem (dilatação biliar, estenose, cálculo).

Qual a diferença entre a Tríade de Charcot e a Pêntade de Reynolds?

A Tríade de Charcot consiste em dor em hipocôndrio direito, febre e icterícia, indicando colangite aguda. A Pêntade de Reynolds adiciona hipotensão e alteração do estado mental a essa tríade, sinalizando uma colangite supurativa grave e sepse biliar.

Qual a conduta inicial em um paciente com Pêntade de Reynolds?

A conduta inicial inclui estabilização hemodinâmica (hidratação, correção hidroeletrolítica), antibioticoterapia de amplo espectro imediata e drenagem biliar urgente, que pode ser endoscópica (CPRE) ou percutânea/cirúrgica.

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