Colangite Aguda em Idosos: Diagnóstico e Manejo Urgente

Fundhacre - Fundação Hospital Estadual do Acre — Prova 2015

Enunciado

Paciente do sexo feminino, com 83 anos, evoluindo com dor intensa em hipocôndrio direito, febre, calafrios, dispneia leve. Realizou USG de abdome que evidencia vesícula repleta de cálculos, paredes espessadas apresentando delaminação, hepatocoledoco pouco visível, raios-x de tórax: pequeno borramento de seio costofrênico direito, leucograma 23.000 com 8% de bastões, bioquímica sem alterações. Assinale alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Paciente deve ser transferida para UTI para iniciar antibioticoterapia de amplo espectro devido a sepse;
  2. B) A videocolecistectomia está descartada pelo comprometimento pulmonar e pela idade da paciente;
  3. C) Colecistectomia tradicional com incisão de koscher e drenagem da via biliar externa, para tratar a colangite adequadamente; 
  4. D) CPRE para drenagem biliar interna e posterior videocolecistecomia.

Pérola Clínica

Colangite aguda grave em idoso → CPRE para drenagem biliar interna, seguida de colecistectomia eletiva.

Resumo-Chave

A paciente apresenta um quadro de colangite aguda grave (febre, dor em hipocôndrio direito, leucocitose, sinais de sepse incipiente), com evidência de obstrução biliar (cálculos na vesícula, hepatocolédoco pouco visível). Em idosos e casos graves, a drenagem biliar endoscópica (CPRE) é a prioridade para desobstruir a via biliar e controlar a infecção, antes de uma cirurgia definitiva.

Contexto Educacional

A colangite aguda é uma infecção grave do trato biliar, frequentemente causada por obstrução (cálculos, estenoses) e proliferação bacteriana. Em pacientes idosos, como o caso apresentado, a apresentação pode ser atípica ou mais grave, com rápida progressão para sepse. A tríade de Charcot (febre, dor em hipocôndrio direito e icterícia) é clássica, mas nem sempre completa. A presença de leucocitose e sinais de inflamação sistêmica, como febre e calafrios, associados a achados de imagem de cálculos e dilatação biliar, confirmam o diagnóstico. A fisiopatologia envolve a estase biliar que permite a proliferação bacteriana, levando à infecção e inflamação. A obstrução biliar, neste caso por cálculos, é o fator precipitante. O diagnóstico é clínico e laboratorial (leucocitose, aumento de enzimas hepáticas e bilirrubinas), complementado por exames de imagem como USG, que pode mostrar cálculos, dilatação de vias biliares e espessamento da parede da vesícula. A dispneia leve e o borramento do seio costofrênico direito podem indicar um derrame pleural reacional à inflamação subdiafragmática. O tratamento da colangite aguda grave requer antibioticoterapia de amplo espectro e, crucialmente, a drenagem da via biliar. Em pacientes instáveis ou com colangite grave, a Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE) é o método de escolha para a drenagem biliar interna, pois é menos invasiva que a cirurgia e permite a desobstrução rápida. A colecistectomia (geralmente videolaparoscópica) é realizada posteriormente, de forma eletiva, após a estabilização do paciente e o controle da infecção, para tratar a causa subjacente (colelitíase).

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnosticar colangite aguda e sua gravidade?

O diagnóstico de colangite aguda é baseado na Tríade de Charcot (febre, icterícia, dor em hipocôndrio direito). A gravidade é avaliada pelos critérios de Tokyo, que incluem sinais de disfunção orgânica (Pêntade de Reynolds: Tríade de Charcot + hipotensão, alteração do estado mental) e achados laboratoriais/de imagem.

Por que a CPRE é preferida para drenagem biliar em casos de colangite aguda grave?

A CPRE permite a drenagem biliar interna de forma menos invasiva, aliviando a obstrução e controlando a infecção. É especialmente vantajosa em pacientes idosos ou com comorbidades, pois evita uma cirurgia de urgência em um paciente instável.

Quando a colecistectomia é indicada após a drenagem biliar na colangite aguda?

Após a drenagem biliar e a melhora clínica do paciente, a colecistectomia (geralmente videolaparoscópica) é indicada de forma eletiva para remover a vesícula biliar e prevenir novos episódios de colangite ou colecistite.

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