PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2024
Um homem de 70 anos chega ao pronto-socorro com estado mental alterado. A família relata que ele se queixava de dor abdominal no quadrante superior direito do abdome antes de apresentar alteração mental. Ao chegar, ele apresenta temperatura de 39°C, frequência cardíaca de 112 bpm e pressão arterial sistólica de 80 mmHg, depois da infusão de 2 litros de cristaloides. Ao exame, ele apresenta icterícia visível com sensibilidade no quadrante superior direito do abdome. Ele tem três de quatro critérios de síndrome de resposta inflamatória sistêmica. Inicia tratamento com Piperacilina/Tazobactam e é internado na Unidade de Terapia Intensiva para monitorização invasiva e suporte vasopressor. Qual é a causa mais comum dos sintomas deste paciente?
Pêntade de Reynolds (Charcot + Choque + AMS) = Colangite Aguda Grave.
A colangite aguda grave manifesta-se pela Pêntade de Reynolds, indicando obstrução biliar (geralmente por cálculos) com infecção sistêmica e instabilidade hemodinâmica.
A colangite aguda é uma das emergências gastroenterológicas mais críticas. A fisiopatologia baseia-se na elevação da pressão biliar acima de 20 cmH2O, o que rompe as barreiras de defesa e permite que bactérias e endotoxinas atinjam os sinusoides hepáticos e a circulação linfática. O reconhecimento precoce da Pêntade de Reynolds é vital, pois a mortalidade sem intervenção aproxima-se de 100%. Além dos cálculos, outras causas incluem estenoses benignas, neoplasias periampulares e manipulação biliar prévia. O tratamento moderno foca na drenagem minimamente invasiva, reservando a cirurgia aberta apenas para casos de falha ou indisponibilidade tecnológica.
A Pêntade de Reynolds é a evolução da Tríade de Charcot (dor abdominal, febre com calafrios e icterícia). Ela adiciona dois componentes que indicam gravidade e choque séptico: hipotensão arterial e alteração do estado mental (confusão, letargia). É um sinal clássico de colangite supurativa aguda.
A coledocolitíase (presença de cálculos no ducto colédoco) é a principal etiologia da obstrução biliar. A estase da bile causada pelo cálculo favorece a proliferação bacteriana (principalmente Gram-negativos como E. coli) e o aumento da pressão intraductal, facilitando a translocação bacteriana para a circulação sistêmica.
O manejo envolve o tripé: estabilização hemodinâmica (cristaloides e vasopressores), antibioticoterapia de amplo espectro (como Piperacilina/Tazobactam) e, crucialmente, a descompressão biliar de urgência, preferencialmente por CPRE (Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica).
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