Colangite Aguda: Diagnóstico e Manejo com CPRE

UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Paciente obesa, 45 anos, é atendida na Emergência com quadro de dor abdominal em cólica localizada no hipocôndrio direito com irradiação para ângulo escapular homolateral, associada a febre alta com calafrios e icterícia. Frente ao provável diagnóstico, a conduta mais adequada no caso é:

Alternativas

  1. A) colecistectomia aberta.
  2. B) colecistectomia videolaparoscópica.
  3. C) colangiopancreatografia endoscópica retrograda.
  4. D) drenagem percutânea da via biliar.
  5. E) drenagem guiada do ecoendoscopia da via biliar.

Pérola Clínica

Colangite aguda (Charcot/Reynolds): CPRE é a conduta mais adequada para descompressão biliar.

Resumo-Chave

A colangite aguda é uma emergência médica caracterizada pela tríade de Charcot (dor em QSD, febre, icterícia). A conduta mais adequada envolve antibioticoterapia e descompressão biliar urgente, sendo a Colangiopancreatografia Endoscópica Retrógrada (CPRE) o método de escolha para a maioria dos casos, permitindo a remoção de cálculos e/ou colocação de stent.

Contexto Educacional

A colangite aguda é uma infecção grave do sistema biliar, geralmente causada por obstrução do ducto biliar comum, mais frequentemente por cálculos biliares. É uma emergência médica que requer diagnóstico rápido e tratamento agressivo para prevenir complicações potencialmente fatais, como sepse e abscesso hepático. A apresentação clássica é a Tríade de Charcot (dor em hipocôndrio direito, febre com calafrios e icterícia), e em casos mais graves, a Pêntade de Reynolds (Tríade de Charcot mais hipotensão e alteração do estado mental) indica colangite supurativa aguda. A fisiopatologia envolve a estase biliar devido à obstrução, que favorece a proliferação bacteriana e a ascensão de bactérias do duodeno para o sistema biliar. O aumento da pressão intraductal e a presença de bactérias levam à inflamação e infecção. O diagnóstico é clínico, laboratorial (leucocitose, aumento de bilirrubinas e enzimas hepáticas) e de imagem (ultrassonografia, tomografia ou ressonância mostrando dilatação das vias biliares e, por vezes, a causa da obstrução). O tratamento da colangite aguda consiste em antibioticoterapia de amplo espectro e descompressão urgente da via biliar. A Colangiopancreatografia Endoscópica Retrógrada (CPRE) é a modalidade preferencial para a descompressão, pois permite a remoção de cálculos, dilatação de estenoses e colocação de stents. Para residentes, é crucial entender que a colecistectomia, embora trate a colelitíase subjacente, não é a conduta inicial para a colangite, pois a prioridade é aliviar a obstrução e a infecção da via biliar. A falha em descomprimir a via biliar rapidamente pode levar a um agravamento do quadro e aumento da mortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da colangite aguda?

Os sinais e sintomas clássicos são a Tríade de Charcot: dor no quadrante superior direito do abdome, febre (com calafrios) e icterícia. Em casos mais graves, pode evoluir para a Pêntade de Reynolds, que adiciona hipotensão e alteração do estado mental, indicando colangite supurativa.

Por que a CPRE é a conduta mais adequada na colangite aguda?

A CPRE é o método de escolha porque permite a descompressão endoscópica da via biliar de forma minimamente invasiva. Através dela, é possível remover cálculos obstrutivos, realizar esfincterotomia e/ou colocar stents para restabelecer o fluxo biliar, aliviando a infecção e a obstrução.

Quais outras opções de tratamento existem para a colangite aguda, além da CPRE?

Além da CPRE, outras opções incluem a drenagem biliar percutânea (DBP) para pacientes instáveis ou quando a CPRE falha, e a drenagem cirúrgica em casos selecionados ou quando outras abordagens não são viáveis. A antibioticoterapia de amplo espectro é sempre um componente essencial do tratamento.

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