UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2020
Paciente obesa, 45 anos, é atendida na Emergência com quadro de dor abdominal em cólica localizada no hipocôndrio direito com irradiação para ângulo escapular homolateral, associada a febre alta com calafrios e icterícia. Frente ao provável diagnóstico, a conduta mais adequada no caso é:
Colangite aguda (Charcot/Reynolds): CPRE é a conduta mais adequada para descompressão biliar.
A colangite aguda é uma emergência médica caracterizada pela tríade de Charcot (dor em QSD, febre, icterícia). A conduta mais adequada envolve antibioticoterapia e descompressão biliar urgente, sendo a Colangiopancreatografia Endoscópica Retrógrada (CPRE) o método de escolha para a maioria dos casos, permitindo a remoção de cálculos e/ou colocação de stent.
A colangite aguda é uma infecção grave do sistema biliar, geralmente causada por obstrução do ducto biliar comum, mais frequentemente por cálculos biliares. É uma emergência médica que requer diagnóstico rápido e tratamento agressivo para prevenir complicações potencialmente fatais, como sepse e abscesso hepático. A apresentação clássica é a Tríade de Charcot (dor em hipocôndrio direito, febre com calafrios e icterícia), e em casos mais graves, a Pêntade de Reynolds (Tríade de Charcot mais hipotensão e alteração do estado mental) indica colangite supurativa aguda. A fisiopatologia envolve a estase biliar devido à obstrução, que favorece a proliferação bacteriana e a ascensão de bactérias do duodeno para o sistema biliar. O aumento da pressão intraductal e a presença de bactérias levam à inflamação e infecção. O diagnóstico é clínico, laboratorial (leucocitose, aumento de bilirrubinas e enzimas hepáticas) e de imagem (ultrassonografia, tomografia ou ressonância mostrando dilatação das vias biliares e, por vezes, a causa da obstrução). O tratamento da colangite aguda consiste em antibioticoterapia de amplo espectro e descompressão urgente da via biliar. A Colangiopancreatografia Endoscópica Retrógrada (CPRE) é a modalidade preferencial para a descompressão, pois permite a remoção de cálculos, dilatação de estenoses e colocação de stents. Para residentes, é crucial entender que a colecistectomia, embora trate a colelitíase subjacente, não é a conduta inicial para a colangite, pois a prioridade é aliviar a obstrução e a infecção da via biliar. A falha em descomprimir a via biliar rapidamente pode levar a um agravamento do quadro e aumento da mortalidade.
Os sinais e sintomas clássicos são a Tríade de Charcot: dor no quadrante superior direito do abdome, febre (com calafrios) e icterícia. Em casos mais graves, pode evoluir para a Pêntade de Reynolds, que adiciona hipotensão e alteração do estado mental, indicando colangite supurativa.
A CPRE é o método de escolha porque permite a descompressão endoscópica da via biliar de forma minimamente invasiva. Através dela, é possível remover cálculos obstrutivos, realizar esfincterotomia e/ou colocar stents para restabelecer o fluxo biliar, aliviando a infecção e a obstrução.
Além da CPRE, outras opções incluem a drenagem biliar percutânea (DBP) para pacientes instáveis ou quando a CPRE falha, e a drenagem cirúrgica em casos selecionados ou quando outras abordagens não são viáveis. A antibioticoterapia de amplo espectro é sempre um componente essencial do tratamento.
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