UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2024
Homem, 48a, procura Pronto-Socorro com queixa de febre há 24 horas. Refere estar em investigação ambulatorial por quadro de dor abdominal em cólica, após alimentação há três meses. Exame físico: ictérico++/4; T=38,2oC; FC=98bpm; PA=124/72mmHg. hemoglobina=11,4g/dL, leucócitos=11.480/mm³; plaquetas=192.000/mm³; AST=124UI/L; ALT=98UI/L; fosfatase alcalina=489UI/L; gama GT=820UI/L; bilirrubina total=8mg/dL; bilirrubina direta=6,2mg/dL. Exame de urina: hemácias=6/campo, leucócitos=8/campo, proteína ausente. O EXAME QUE MELHOR AVALIA A CAUSA PROVÁVEL DESTE QUADRO É:
Febre + Icterícia + Dor abdominal (Tríade de Charcot) + Colestase laboratorial → Colangite aguda; CPRM para avaliar coledocolitíase.
O quadro clínico de febre, icterícia e dor abdominal em cólica, associado a elevação de enzimas colestáticas (FA, GGT, bilirrubina direta), é altamente sugestivo de colangite aguda, geralmente causada por coledocolitíase. A Colangiopancreatografia por Ressonância Magnética (CPRM) é o exame de imagem não invasivo de escolha para visualizar as vias biliares e identificar a causa da obstrução.
A colangite aguda é uma infecção grave das vias biliares, frequentemente causada por obstrução do ducto biliar comum, sendo a coledocolitíase a etiologia mais comum. É uma condição potencialmente fatal que exige reconhecimento e tratamento imediatos. A apresentação clássica inclui a Tríade de Charcot: febre, icterícia e dor abdominal em quadrante superior direito. O diagnóstico é baseado na clínica, exames laboratoriais que mostram leucocitose e padrão colestático (elevação de bilirrubina direta, fosfatase alcalina e gama GT), e exames de imagem. A ultrassonografia abdominal é geralmente o primeiro exame, mas a Colangiopancreatografia por Ressonância Magnética (CPRM) é o exame não invasivo de escolha para confirmar a presença de coledocolitíase e avaliar a anatomia biliar com maior detalhe. O tratamento da colangite aguda envolve antibioticoterapia de amplo espectro e descompressão biliar, que pode ser realizada por Colangiopancreatografia Endoscópica Retrógrada (CPRE) com esfincterotomia e remoção de cálculos, ou, em casos selecionados, por drenagem percutânea ou cirurgia. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da intervenção.
A Tríade de Charcot é composta por febre, icterícia e dor abdominal em quadrante superior direito, sendo um sinal clássico de colangite aguda.
A ultrassonografia abdominal é o exame inicial para avaliar as vias biliares, podendo identificar dilatação das vias biliares e colelitíase, mas pode não ser suficiente para visualizar o cálculo no ducto colédoco.
A CPRM é um exame não invasivo que oferece excelente detalhamento anatômico das vias biliares intra e extra-hepáticas, permitindo identificar com precisão a presença e localização de cálculos no ducto colédoco ou outras causas de obstrução.
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