Colangite Aguda: Diagnóstico e Manejo Essencial

HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2020

Enunciado

Com relação ao quadro de Colangite Aguda, considere as afirmações abaixo: I. O diagnóstico de Colangite Aguda é dado quando paciente evolui com Tríade de Charcot, pois possui especificidade e sensibilidade elevados. II. O seu diagnóstico só é definitivo na presença de icterícia clinica constatada.III. Para o diagnóstico definitivo de Colangite Aguda é necessário, obrigatoriamente, exame de imagem. IV. Quando suspeito o diagnóstico de Colangite Aguda Grave a Ressonância Magnética de Abdomem deve ser o exame de imagem de escolha. V. Na Colangite Aguda, devido à sua gravidade, deve-se iniciar antibioticoterapia empiricamente, imediatamente, com Ceftriaxona e Metronidazol. VI. Na Colangite Aguda Grau III, o tratamento deverá ser instituído com antibioticoterapia e, caso não se obtenha melhora clínica importante nas primeiras 24 horas, o paciente deverá ser submetido à procedimento cirúrgico e/ou CPRE. Quais questões estão corretas?

Alternativas

  1. A) Apenas I.
  2. B) Apenas III.
  3. C) Apenas I,II, IV,V e VI.
  4. D) Todas estão corretas.
  5. E) Apenas I, II, V e VI.

Pérola Clínica

Diagnóstico definitivo de Colangite Aguda → exame de imagem (USG, TC, RM) para obstrução biliar.

Resumo-Chave

A Tríade de Charcot (febre, icterícia, dor em QSD) não é suficientemente sensível ou específica para o diagnóstico definitivo de colangite aguda. O diagnóstico requer evidência de inflamação sistêmica, disfunção hepática e, crucialmente, exame de imagem para demonstrar obstrução biliar e dilatação das vias biliares.

Contexto Educacional

A Colangite Aguda é uma infecção grave das vias biliares, frequentemente associada à obstrução biliar. É uma condição com alta morbimortalidade se não diagnosticada e tratada precocemente. A compreensão dos critérios diagnósticos e da estratificação de gravidade é fundamental para o manejo adequado, especialmente para residentes em cirurgia geral e gastroenterologia. A epidemiologia mostra que a colelitíase é a causa mais comum, mas outras etiologias como estenoses e tumores também devem ser consideradas. A fisiopatologia envolve a estase biliar e a proliferação bacteriana ascendente. O diagnóstico é guiado pelos Critérios de Tóquio, que combinam achados clínicos, laboratoriais e de imagem. A ultrassonografia é o exame inicial de escolha devido à sua disponibilidade e baixo custo, mas TC e RM oferecem detalhes adicionais. A suspeita deve ser alta em pacientes com dor abdominal em QSD, febre e icterícia, especialmente se houver histórico de doença biliar. O tratamento da Colangite Aguda consiste em antibioticoterapia empírica imediata e, em muitos casos, descompressão biliar. A descompressão pode ser endoscópica (CPRE), percutânea ou cirúrgica, dependendo da gravidade e da etiologia da obstrução. O prognóstico está diretamente relacionado à rapidez do diagnóstico e da intervenção, sendo crucial a monitorização da resposta ao tratamento e a identificação de sinais de deterioração clínica.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Colangite Aguda?

O diagnóstico de Colangite Aguda é baseado nos Critérios de Tóquio, que incluem evidência de inflamação sistêmica (febre, leucocitose), disfunção hepática (icterícia, enzimas hepáticas elevadas) e achados de imagem que demonstrem dilatação biliar ou causa da obstrução.

Qual o papel do exame de imagem no diagnóstico de Colangite Aguda?

O exame de imagem, como ultrassonografia abdominal, tomografia computadorizada ou ressonância magnética (colangiopancreatografia por ressonância magnética - CPREm), é obrigatório para o diagnóstico definitivo, pois identifica a obstrução biliar e sua causa, essencial para o planejamento terapêutico.

Qual a conduta inicial para Colangite Aguda Grave?

Em casos de Colangite Aguda Grave (Grau III), o tratamento inicial envolve antibioticoterapia empírica de amplo espectro (ex: Ceftriaxona + Metronidazol) e suporte clínico. Se não houver melhora em 12-24 horas, a descompressão biliar urgente, geralmente por CPRE, é indicada.

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