Colangite Aguda: Diagnóstico e Manejo Inicial

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022

Enunciado

Uma paciente com 43 anos de idade, sem comorbidades, vem apresentando quadro de dor em hipocôndrio direito, febre, colúria e acolia fecal há 48 horas. Ao exame, mostra-se lúcida, orientada no tempo e espaço, com icterícia +/4, temperatura axilar 39 °C e pressão arterial de 130 x 90 mmHg. No exame do abdome apresenta dor à palpação profunda do ponto cístico, sem massas e/ou visceromegalias. Realizou ultrassonografia que mostrou vesícula biliar com paredes levemente espessadas, com cálculos pequenos em seu interior; dilatação das vias biliares com colédoco medindo 1 cm. Diante desse quadro, quais são, respectivamente, a principal hipótese diagnóstica e o tratamento inicial adequado?

Alternativas

  1. A) Colecistite aguda; antibioticoterapia venosa.
  2. B) Colangite aguda; antibioticoterapia venosa.
  3. C) Colecistite aguda; colecistectomia de emergência.
  4. D) Colangite aguda; drenagem cirúrgica das vias biliares.

Pérola Clínica

Dor HD + febre + icterícia (Tríade de Charcot) + dilatação de vias biliares → Colangite aguda. Tratamento inicial: ATB IV.

Resumo-Chave

A presença da Tríade de Charcot (dor em hipocôndrio direito, febre e icterícia), juntamente com a dilatação das vias biliares na ultrassonografia, é altamente sugestiva de colangite aguda. O tratamento inicial deve focar na estabilização do paciente com antibioticoterapia venosa de amplo espectro.

Contexto Educacional

A colangite aguda é uma infecção bacteriana das vias biliares, geralmente secundária à obstrução do fluxo biliar, mais comumente por cálculos (coledocolitíase). É uma condição grave que pode evoluir rapidamente para sepse e choque. A epidemiologia mostra maior incidência em pacientes com colelitíase ou histórico de cirurgia biliar. A importância clínica reside na necessidade de reconhecimento e tratamento rápidos para evitar alta morbimortalidade. A fisiopatologia envolve a estase biliar causada pela obstrução, que permite a proliferação bacteriana ascendente do duodeno. O diagnóstico é baseado na apresentação clínica clássica da Tríade de Charcot (dor em hipocôndrio direito, febre e icterícia) e, em casos graves, a Pêntade de Reynolds (Tríade de Charcot + hipotensão e alteração do estado mental). Exames laboratoriais mostram leucocitose, elevação de bilirrubinas e enzimas colestáticas. A ultrassonografia abdominal é o exame inicial de imagem, revelando dilatação das vias biliares e, frequentemente, a causa da obstrução (cálculos). O tratamento inicial da colangite aguda é a estabilização do paciente com fluidos intravenosos e antibioticoterapia empírica de amplo espectro, cobrindo gram-negativos entéricos e anaeróbios. Após a estabilização, a drenagem biliar é o pilar do tratamento definitivo, geralmente realizada por colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE), mas também pode ser percutânea ou cirúrgica, dependendo da gravidade e da anatomia. O prognóstico depende da gravidade da doença e da prontidão do tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para colangite aguda?

Os critérios de diagnóstico para colangite aguda incluem evidência de inflamação sistêmica (febre, leucocitose), evidência de colestase (icterícia, enzimas hepáticas elevadas) e evidência de imagem (dilatação biliar, estenose, cálculo). A tríade de Charcot (dor HD, febre, icterícia) é um forte indicativo.

Qual a importância da drenagem biliar na colangite aguda?

A drenagem biliar é crucial na colangite aguda, especialmente em casos moderados a graves, para aliviar a obstrução e a pressão nas vias biliares, permitindo a resolução da infecção. Pode ser realizada por CPRE, drenagem percutânea ou cirurgia.

Como diferenciar colangite aguda de colecistite aguda?

A colecistite aguda é inflamação da vesícula biliar, geralmente sem icterícia ou dilatação significativa do colédoco. A colangite aguda envolve infecção das vias biliares, manifestando-se com icterícia, colúria, acolia fecal e dilatação do colédoco, além de dor e febre.

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