MedEvo Simulado — Prova 2025
Um paciente, sexo masculino, 58 anos, com histórico de dispepsia crônica, procura o pronto-socorro com quadro de dor progressiva em quadrante superior direito há 3 dias, irradiando para o dorso, acompanhada de calafrios, mal-estar e urina escura. Ao exame, encontra-se letárgico, febril (39,5°C), ictérico (3+/4+) e hipotenso (PA 85x45 mmHg). Abdome distendido, com dor à palpação profunda em QSD e defesa abdominal. Exames laboratoriais mostram leucocitose com desvio à esquerda, bilirrubina direta elevada e marcadores inflamatórios acentuadamente aumentados. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Dor QSD + Febre + Icterícia + Hipotensão + Alteração estado mental → Pêntade de Reynolds = Colangite aguda grave.
O paciente apresenta a tríade de Charcot (dor em QSD, febre, icterícia) e, adicionalmente, hipotensão e alteração do estado mental (letargia), configurando a pêntade de Reynolds. Esta é uma apresentação clássica de colangite aguda grave, uma emergência médica que requer descompressão biliar urgente.
A colangite aguda é uma infecção grave do trato biliar, geralmente secundária a uma obstrução, sendo a coledocolitíase a causa mais comum. É uma condição com alta morbimortalidade se não for diagnosticada e tratada prontamente. A apresentação clínica varia de leve a grave, com sepse biliar. O diagnóstico é guiado pela tríade de Charcot (dor em quadrante superior direito, febre e icterícia). No entanto, em casos mais graves, como o descrito na questão, a presença de hipotensão e alteração do estado mental (letargia) configura a pêntade de Reynolds, indicando uma colangite supurativa aguda e sepse biliar, uma emergência médica. Exames laboratoriais tipicamente mostram leucocitose, bilirrubina direta elevada e elevação de enzimas hepáticas. O tratamento da colangite aguda envolve estabilização do paciente, antibioticoterapia de amplo espectro e, crucialmente, descompressão biliar. Em casos de pêntade de Reynolds, a descompressão biliar deve ser realizada de forma urgente, preferencialmente por via endoscópica (colangiopancreatografia retrógrada endoscópica - CPRE) ou, se esta não for possível, por drenagem biliar percutânea trans-hepática. A colecistite aguda, embora também cause dor em QSD e febre, geralmente não cursa com icterícia proeminente ou sepse biliar tão rapidamente, a menos que haja coledocolitíase associada.
O diagnóstico de colangite aguda é baseado na presença de sintomas sistêmicos de inflamação (febre, calafrios), evidência de colestase (icterícia, bilirrubina direta elevada) e evidência de imagem de dilatação biliar ou causa da obstrução.
A tríade de Charcot consiste em dor em quadrante superior direito, febre e icterícia, indicando colangite. A pêntade de Reynolds adiciona hipotensão e alteração do estado mental à tríade, indicando colangite aguda grave e sepse biliar.
A conduta inicial inclui estabilização hemodinâmica, antibioticoterapia de amplo espectro e, em casos graves (pêntade de Reynolds), descompressão biliar urgente, que pode ser endoscópica (CPRE) ou percutânea (drenagem trans-hepática).
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