Colangite Aguda: Classificação Tóquio 2018 e Manejo

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher de 20 anos, previamente hígida, comparece ao atendimento de emergência com queixa de dor abdominal localizada em região epigástrica e em hipocôndrio direito, do tipo cólica, intermitente, desencadeada após a ingestão de alimentos ricos em gorduras e/ou doces, associada a náuseas, com início há aproximadamente 8 meses e com piora há 5 dias, quando percebeu também coloração amarelada da pele e dos olhos. Refere ainda 1 episódio de febre aferida em 38ºC, que cessou após uso de dipirona. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, desidratada (1+/4+), ictérica (2+/4+), FC = 72 bpm, PA = 100 x 60 mmHg, abdome plano, flácido, doloroso a palpação profunda do hipocôndrio direito, sinal de Murphy negativo. Realizou exames laboratoriais: Leucograma = 13600/mm³ (60% de segmentados); Proteína C Reativa = 3,0 mg/dl; Bilirrubina total = 6,0 mg/dl, Bilirrubina direta = 4,8 mg/dl. Ultrassonografia do abdome mostra presença de colelitíase, associada a dilatação das vias biliares intra e extra-hepáticas, com imagem hiperecogênica medindo 8mm localizada no colédoco distal. Considerando-se os critérios estabelecidos pelo Guideline de Tóquio 2018, assinale a alternativa que indica o provável diagnóstico e a conduta terapêutica mais adequada:

Alternativas

  1. A) Coledocolitíase sem colangite, colangiopancreatografia endoscópica retrógrada.
  2. B) Coledocolitíase com colangite Tóquio I, colangeopancreatografia endoscópica retrógrada.
  3. C) Coledocolitíase com colangite Tóquio II, colangiopancreatografia endoscópica retrógrada.
  4. D) Coledocolitíase sem colangite, videocolecistectomia com exploração intra-operatória das vias biliares.

Pérola Clínica

Colangite Tóquio II = 2 critérios de gravidade (leucocitose >12k, BT >5, febre >39, idade >75, albumina <2.8). Conduta: CPRE.

Resumo-Chave

A paciente apresenta critérios para colangite aguda (inflamação sistêmica, colestase e imagem de obstrução biliar). A presença de leucocitose (>12.000) e bilirrubina total > 5 mg/dL a classifica como Colangite Grau II (moderada) pelos Critérios de Tóquio 2018. A conduta mais adequada é a drenagem biliar por CPRE, além de antibioticoterapia.

Contexto Educacional

A colangite aguda é uma infecção grave das vias biliares, frequentemente associada à obstrução. Sua incidência tem aumentado, e o reconhecimento precoce e manejo adequado são cruciais para prevenir morbimortalidade. A etiologia mais comum é a coledocolitíase, mas estenoses benignas ou malignas também podem causar obstrução e infecção. A apresentação clínica clássica é a tríade de Charcot (febre, dor em hipocôndrio direito e icterícia), embora nem sempre completa, e a pêntade de Reynolds (tríade de Charcot mais hipotensão e alteração do estado mental) indica doença grave. A fisiopatologia envolve a estase biliar e a proliferação bacteriana, geralmente de origem entérica. O diagnóstico é clínico, laboratorial (leucocitose, elevação de PCR, bilirrubinas e enzimas canaliculares) e por imagem (ultrassonografia, tomografia ou ressonância magnética que evidenciam dilatação biliar e/ou a causa da obstrução). Os Critérios de Tóquio 2018 são amplamente utilizados para padronizar o diagnóstico e a classificação da gravidade, o que orienta a conduta terapêutica e o tempo de intervenção. O tratamento da colangite aguda baseia-se em antibioticoterapia de amplo espectro e drenagem biliar. A escolha do antibiótico deve cobrir germes gram-negativos e anaeróbios. A drenagem biliar pode ser realizada por CPRE (preferencial para coledocolitíase), drenagem percutânea ou cirurgia, dependendo da causa e da gravidade. Colangite Grau I pode ser manejada com antibióticos e drenagem eletiva, enquanto Grau II requer drenagem precoce e Grau III exige drenagem de emergência, suporte intensivo e monitorização de disfunção orgânica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para o diagnóstico de colangite aguda?

O diagnóstico de colangite aguda, conforme os Critérios de Tóquio 2018, requer a presença de inflamação sistêmica (febre/calafrios, leucocitose/PCR elevada), colestase (icterícia, bilirrubinas alteradas) e evidência de imagem de dilatação biliar ou causa da obstrução (cálculo, estenose).

Como a gravidade da colangite aguda é classificada pelos Critérios de Tóquio 2018?

A colangite é classificada em Grau I (leve), Grau II (moderada) ou Grau III (grave). O Grau II é definido pela presença de dois ou mais dos seguintes: leucócitos >12.000 ou <4.000, febre >39°C, idade >75 anos, albumina <2,8 g/dL ou bilirrubina total >5 mg/dL. O Grau III envolve disfunção de órgãos.

Qual a conduta terapêutica para colangite aguda Grau II?

Para colangite aguda Grau II, a conduta inclui antibioticoterapia e drenagem biliar precoce, idealmente dentro de 24 a 48 horas. A colangiopancreatografia endoscópica retrógrada (CPRE) é o método de escolha para a drenagem em casos de coledocolitíase.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo