FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024
Mulher, 51 anos, obesa, 3 gestações prévias, portadora de Diabetes Mellitus tipo II, em uso de metformina, procura o Pronto-Socorro com queixa de icterícia, colúria e hipocolia fecal há cerca de 48 horas, associada a dor em hipocôndrio direito (HCD), febre e calafrios. Ao exame físico: desidratada ++, febril, pouco sonolenta, PA: 80/40 mmHg, FC: 110 bpm, abdome flácido, pouco doloroso em HCD e epigástrio, descompressão brusca negativa. Considerando o caso, quais sinais e sintomas apresentados pela paciente estão relacionados à pêntade de Reynolds?
Pêntade de Reynolds = Tríade de Charcot + Hipotensão + Alteração do nível de consciência.
A Pêntade de Reynolds indica colangite supurativa aguda grave, exigindo descompressão biliar de emergência e suporte hemodinâmico imediato.
A colangite aguda é uma emergência médica causada pela infecção bacteriana ascendente em um sistema biliar obstruído. A apresentação clássica é a Tríade de Charcot, mas a evolução para a Pêntade de Reynolds sinaliza uma sepse grave com disfunção orgânica (choque e alteração neurológica). O manejo deve ser agressivo, seguindo os critérios de Tokyo (TG18), focando na drenagem do pus e controle do foco infeccioso para evitar a mortalidade elevada associada à forma supurativa.
A Tríade de Charcot é composta por dor abdominal (geralmente em hipocôndrio direito), febre com calafrios e icterícia. Ela é clássica da colangite aguda, mas está presente em apenas cerca de 50-70% dos casos, exigindo alta suspeição clínica.
A conduta envolve estabilização hemodinâmica vigorosa com cristaloides e vasopressores se necessário, antibioticoterapia de amplo espectro precoce e, crucialmente, a descompressão biliar de urgência, preferencialmente por via endoscópica (CPRE) ou percutânea.
A colangite decorre da combinação de obstrução biliar (por cálculos, estenoses ou tumores) e infecção bacteriana do fluido biliar estagnado. O aumento da pressão intraductal facilita a translocação de bactérias e endotoxinas para a circulação sistêmica, levando à sepse.
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