Colangite Aguda: Diagnóstico, Tríade de Charcot e CPRE

PMFI - Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu (PR) — Prova 2021

Enunciado

Mulher de 56 anos de idade relata dor em hipocôndrio direito há três dias, além de febre. Ao exame, encontrava-se desidratada +/4+, ictérica +/4+, com pulso de 96 bpm e abdome plano, flácido, doloroso em hipocôndrio direito. Realizou hemograma que mostrou 15.500  leucócitos (normal até 10.000), bilirrubinas totais de 3,7 (normal até 1), ALT 478 U/L (normal até 40 U/L) e AST de 312 U/L (normal até 40 U/L). A ultrassonografia revela a vesícula biliar repleta de cálculos, normodistendida, com paredes dentro da normalidade e com dilatação de vias biliares intra e extra-hepáticas. Assinale a melhor alternativa de conduta neste momento:

Alternativas

  1. A) Colecistectomia videolaparoscopica;
  2. B) Tomografia computadorizada de abdome;
  3. C) Colecistectomia aberta;
  4. D) Colangiopancreatografia retrógrada endoscópica e antibióticos;

Pérola Clínica

Tríade de Charcot (febre, dor HD, icterícia) + leucocitose + dilatação VB → Colangite aguda = CPRE + ATB.

Resumo-Chave

A colangite aguda é uma infecção grave das vias biliares, geralmente causada por obstrução (ex: cálculo). A tríade de Charcot é clássica, e a presença de sinais de sepse (pêntade de Reynolds) indica gravidade. O tratamento envolve descompressão biliar (CPRE) e antibióticos.

Contexto Educacional

A colangite aguda é uma infecção bacteriana das vias biliares, geralmente precipitada por obstrução do fluxo biliar, sendo a coledocolitíase a causa mais comum. É uma condição potencialmente fatal que exige reconhecimento e tratamento rápidos. A Tríade de Charcot (febre, dor em hipocôndrio direito e icterícia) é clássica, e a Pêntade de Reynolds (Tríade de Charcot mais hipotensão e alteração do estado mental) indica colangite supurativa grave. O diagnóstico é clínico, laboratorial (leucocitose, elevação de bilirrubinas e enzimas hepáticas) e de imagem (ultrassonografia, TC ou RM mostrando dilatação das vias biliares e, por vezes, a causa da obstrução). Os critérios de Tóquio são amplamente utilizados para classificar a gravidade e guiar o manejo. A fisiopatologia envolve a estase biliar que permite a proliferação bacteriana ascendente do duodeno. O tratamento inicial consiste em suporte clínico, hidratação e antibioticoterapia empírica de amplo espectro. A descompressão biliar é o pilar do tratamento definitivo, sendo a Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE) o método preferencial para remover cálculos e/ou inserir stents. Em casos de falha da CPRE ou anatomia desfavorável, a drenagem percutânea ou cirúrgica pode ser necessária. O manejo adequado visa prevenir complicações como sepse, abscesso hepático e insuficiência hepática.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da colangite aguda?

A colangite aguda é caracterizada pela Tríade de Charcot: febre, dor em hipocôndrio direito e icterícia. Em casos graves, pode evoluir para a Pêntade de Reynolds, que adiciona hipotensão e alteração do estado mental.

Qual a conduta inicial para um paciente com colangite aguda?

A conduta inicial inclui suporte hemodinâmico, antibioticoterapia de amplo espectro para cobrir germes entéricos e, crucialmente, descompressão biliar. A CPRE é o método de escolha para desobstrução, especialmente na presença de coledocolitíase.

Quando a CPRE é indicada na colangite aguda?

A CPRE é indicada para descompressão biliar em pacientes com colangite aguda, especialmente quando há evidência de obstrução biliar (como coledocolitíase) e sinais de infecção. É uma prioridade em casos moderados a graves, após estabilização inicial.

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