Colangite Aguda: Diagnóstico Clínico e Tríade de Charcot

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Uma paciente de 54 anos, com histórico prévio de cálculos na vesícula biliar não operados, é admitida na unidade de pronto atendimento apresentando um quadro de dor abdominal aguda localizada no hipocôndrio direito, iniciada há cerca de 18 horas. Ela relata que a dor é acompanhada de calafrios intensos e febre, tendo aferido 39,2 °C em domicílio. Ao exame físico, a paciente encontra-se prostrada, taquicárdica e apresenta icterícia visível em escleras e mucosa sublingual (3+/4+). O abdome é doloroso à palpação profunda em quadrante superior direito, porém sem sinais de irritação peritoneal. Os exames laboratoriais iniciais revelam leucocitose importante com desvio à esquerda e elevação de bilirrubinas totais às custas de fração direta. Diante do quadro clínico descrito, qual é a hipótese diagnóstica mais provável?

Alternativas

  1. A) Colecistite aguda
  2. B) Coledocolitíase simples
  3. C) Colangite aguda
  4. D) Pancreatite aguda biliar

Pérola Clínica

Febre + Icterícia + Dor em Hipocôndrio Direito = Tríade de Charcot (Colangite Aguda).

Resumo-Chave

A colangite aguda resulta da obstrução biliar com infecção bacteriana ascendente. A tríade de Charcot é o marco diagnóstico clássico, exigindo descompressão biliar de urgência.

Contexto Educacional

A colangite aguda é uma síndrome clínica caracterizada por febre, icterícia e dor abdominal, decorrente de estase e infecção da bile. A causa mais comum é a coledocolitíase, mas estenoses benignas ou malignas e manipulações prévias da via biliar (como CPRE) também são fatores de risco. A fisiopatologia envolve a elevação da pressão intrabiliar, que facilita a passagem de bactérias (como E. coli e Klebsiella) e endotoxinas para o sistema venoso e linfático. O diagnóstico baseia-se nos Critérios de Tóquio (TG18), que consideram sinais de inflamação sistêmica, colestase e evidências de imagem de obstrução biliar. O tratamento baseia-se no tripé: suporte hemodinâmico, antibioticoterapia de amplo espectro e, fundamentalmente, a descompressão biliar, que pode ser realizada por via endoscópica (CPRE), percutânea ou cirúrgica, dependendo da gravidade e disponibilidade local.

Perguntas Frequentes

O que compõe a Tríade de Charcot e qual sua importância?

A Tríade de Charcot é composta por dor abdominal (geralmente em hipocôndrio direito), febre (frequentemente com calafrios) e icterícia. Ela é altamente sugestiva de colangite aguda, uma infecção das vias biliares decorrente de obstrução (mais comumente por coledocolitíase). Embora tenha alta especificidade, sua sensibilidade é variável, o que significa que a ausência de um dos componentes não exclui o diagnóstico se o índice de suspeita for alto.

Qual a diferença entre a Tríade de Charcot e a Pêntade de Reynolds?

A Pêntade de Reynolds é uma extensão da Tríade de Charcot, adicionando hipotensão (choque obstrutivo/séptico) e alteração do nível de consciência (confusão mental). A presença da pêntade indica uma colangite supurativa grave, uma emergência médica extrema que requer estabilização hemodinâmica imediata e descompressão biliar de urgência, pois apresenta altíssima mortalidade sem intervenção.

Como diferenciar Colecistite de Colangite clinicamente?

Na colecistite aguda, a inflamação é da parede da vesícula biliar (geralmente por cálculo impactado no ducto cístico); o paciente tem dor persistente e sinal de Murphy positivo, mas a icterícia é rara ou leve. Na colangite, a obstrução é no ducto colédoco, impedindo o fluxo biliar do fígado para o duodeno, o que gera icterícia obstrutiva franca (elevação de bilirrubina direta) e sintomas sistêmicos mais graves devido à translocação bacteriana para a circulação sistêmica sob pressão biliar elevada.

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