Colangite Aguda: Diagnóstico e Conduta de Urgência

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026

Enunciado

Mulher de 42 anos, previamente hígida, procura pronto-socorro com dor intensa em hipocôndrio direito, febre (38,7 ºC) e icterícia progressiva. Ao exame: pressão arterial: 100x60 mmHg, FC: 110 bpm. Laboratório: leucocitose e bilirrubina total de 6 mg/dL. Ultrassonografia: vesícula com cálculos e dilatação de vias biliares intra e extra-hepáticas. Qual é a conduta inicial mais apropriada nesse caso?

Alternativas

  1. A) Colecistectomia laparoscópica de urgência.
  2. B) Antibioticoterapia venosa e CPRE para descompressão biliar, seguida de colecistectomia.
  3. C) Hidratação venosa, antibioticoterapia e analgesia potente com opioides.
  4. D) Cirurgia aberta imediata para exploração da via biliar.
  5. E) Radioterapia adjuvante.

Pérola Clínica

Dor + Febre + Icterícia = Tríade de Charcot (Colangite Aguda) → Estabilizar + ATB + CPRE.

Resumo-Chave

A colangite aguda é uma emergência médica causada por obstrução biliar e infecção ascendente. O tratamento exige descompressão biliar (preferencialmente por CPRE) e antibioticoterapia sistêmica imediata.

Contexto Educacional

A colangite aguda representa uma das emergências gastroenterológicas mais críticas. A fisiopatologia envolve a estase biliar (geralmente por coledocolitíase) que favorece a proliferação bacteriana e a translocação para a circulação sistêmica via refluxo colangiovenoso. O manejo segue os critérios de Tóquio (TG18), que estratificam a gravidade e orientam o tempo para a drenagem biliar. A estabilização hemodinâmica precoce e o controle do foco infeccioso são os pilares para reduzir a mortalidade, que historicamente era muito elevada antes do advento das técnicas endoscópicas.

Perguntas Frequentes

O que compõe a Tríade de Charcot e qual sua importância?

A Tríade de Charcot é composta por dor abdominal (hipocôndrio direito), febre com calafrios e icterícia. Ela é o sinal clássico de colangite aguda, indicando obstrução biliar com infecção bacteriana sobreposta. Embora tenha alta especificidade, sua sensibilidade é moderada (cerca de 50-70%). Quando associada a hipotensão e alteração do nível de consciência, forma a Pêntade de Reynolds, indicando colangite grave/supurativa e choque séptico iminente.

Por que a CPRE é preferível à cirurgia aberta na colangite?

A CPRE (Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica) permite a descompressão da via biliar de forma minimamente invasiva através de papilotomia e retirada de cálculos ou colocação de stents. Em pacientes com colangite, que frequentemente estão instáveis ou sépticos, a cirurgia aberta (coledocotomia) apresenta taxas de morbimortalidade significativamente maiores. A CPRE resolve a obstrução (causa da sepse) com menor trauma cirúrgico.

Qual o papel da antibioticoterapia no manejo da colangite?

A antibioticoterapia deve ser iniciada imediatamente após a suspeita clínica e coleta de culturas. O espectro deve cobrir gram-negativos entéricos (como E. coli e Klebsiella) e anaeróbios. Embora o antibiótico trate a bacteremia e a infecção sistêmica, ele não substitui a necessidade de descompressão biliar, pois a penetração do fármaco na via biliar obstruída é pobre devido à elevada pressão intraductal.

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