Colangite Aguda Grave: Diagnóstico e Manejo Urgente

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 45 anos, sexo feminino, colecistectomizada há 2 anos, diabética e hipertensa, é admitida no pronto atendimento com dor abdominal em andar superior, icterícia, febre e calafrios. Apresenta taquicardia (145bpm), com pulso filiforme e PA de 80x60mmHg. Realizou uma colangiorressonância que observa ausência cirúrgica da vesícula biliar e colédoco de 1,4cm com presença de cálculo em seu terço distal. O diagnóstico e as condutas mais corretos para esta paciente são

Alternativas

  1. A) hepatite aguda viral; jejum e hidratação venosa.
  2. B) tumor hepático; hidratação e quimioterapia.
  3. C) colangite; hidratação endovenosa, antibioticoterapia e drenagem da via biliar.
  4. D) pancreatite aguda biliar; jejum, hidratação endovenosa e nutrição parenteral.
  5. E) colecistite aguda; jejum, hidratação e antibióticoterapia.

Pérola Clínica

Dor abdominal + icterícia + febre + choque + cálculo em colédoco → Colangite grave = Suporte + ATB + Drenagem biliar.

Resumo-Chave

A paciente apresenta a tríade de Charcot (dor, febre, icterícia) e sinais de choque (taquicardia, hipotensão), configurando a pêntade de Reynolds, indicativa de colangite aguda grave. A presença de cálculo no colédoco confirma a etiologia obstrutiva. O tratamento envolve estabilização hemodinâmica, antibióticos e drenagem urgente da via biliar.

Contexto Educacional

A colangite aguda é uma infecção bacteriana das vias biliares, quase sempre associada a uma obstrução do fluxo biliar, sendo a coledocolitíase a causa mais comum. A apresentação clínica clássica é a tríade de Charcot (dor em hipocôndrio direito, febre e icterícia). Quando a doença progride para um quadro mais grave, com hipotensão e alteração do estado mental, configura-se a pêntade de Reynolds, indicando uma colangite aguda supurativa e sepse biliar, uma emergência médica com alta morbimortalidade. O diagnóstico é baseado na clínica, exames laboratoriais (leucocitose, elevação de bilirrubinas e enzimas hepáticas) e exames de imagem que demonstrem dilatação das vias biliares e/ou a presença de cálculos no colédoco, como a colangiorressonância ou ultrassonografia. A colecistectomia prévia não exclui a possibilidade de coledocolitíase, que pode ser residual ou de novo. A gravidade da colangite é classificada pelas diretrizes de Tóquio, que orientam o manejo. O tratamento da colangite aguda grave é uma emergência e envolve três pilares: suporte clínico (hidratação venosa, estabilização hemodinâmica), antibioticoterapia de amplo espectro para cobrir patógenos entéricos comuns e, crucialmente, a drenagem urgente da via biliar. A drenagem pode ser realizada por CPRE (preferencial), drenagem percutânea trans-hepática ou, em último caso, cirurgicamente. A falha em drenar a via biliar prontamente em casos graves pode levar a choque séptico refratário e óbito.

Perguntas Frequentes

Quais são os componentes da pêntade de Reynolds e o que ela indica?

A pêntade de Reynolds é composta pela tríade de Charcot (dor em hipocôndrio direito, febre, icterícia) mais hipotensão e alteração do estado mental. Ela indica colangite aguda grave com sepse.

Por que a drenagem da via biliar é tão crítica no tratamento da colangite grave?

A drenagem da via biliar é essencial para aliviar a obstrução e remover a bile infectada, que é a fonte da sepse. Sem a descompressão, a infecção pode persistir e a antibioticoterapia ser ineficaz.

Quais são as opções de drenagem da via biliar para colangite aguda?

As principais opções incluem a Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE) com esfincterotomia e colocação de stent, drenagem biliar percutânea trans-hepática (DBPT) ou, em casos selecionados, drenagem cirúrgica.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo