INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Uma mulher de 45 anos procura o pronto-socorro com queixa de dor abdominal há 3 dias em região epigástrica e hipocôndrio direito, de intensidade crescente, associada a náusea e vômitos. Refere sudorese e calafrios, porém não aferiu temperatura corporal. Além disso, apresenta urina de coloração escurecida. A paciente nega episódios anteriores e não possui antecedentes pessoais relevantes. Ao exame físico, apresenta regular estado geral, corada e hidratada; ictérica 2+/4+; frequência cardíaca de 108 batimentos por minuto; pressão arterial de 110 × 70 mmHg; saturação de oxigênio de 97% em ar ambiente; frequência respiratória de 23 incursões respiratórias por minuto; e temperatura axilar de 38,5 °C; abdome doloroso à palpação em região epigástrica e em hipocôndrio direito. Os exames laboratoriais apresentaram o seguinte resultado:Ultrassonografia de abdome: vesícula biliar de paredes finas, com múltiplos pequenos cálculos em seu interior, e moderada dilatação de vias biliares, sem evidência de fator obstrutivo ao método; fígado e pâncreas estavam sem alterações. Acerca do quadro dessa paciente, qual é a principal hipótese diagnóstica e a conduta imediata adequada?
Febre + icterícia + dor em hipocôndrio direito (Tríade de Charcot) + dilatação de vias biliares = Colangite Aguda. Conduta inicial: antibioticoterapia.
O quadro clínico da paciente (febre, dor em hipocôndrio direito, icterícia, calafrios, urina escura) associado à dilatação de vias biliares na ultrassonografia é altamente sugestivo de colangite aguda. A conduta imediata é iniciar antibioticoterapia de amplo espectro, seguida de drenagem biliar se necessário.
A colangite aguda é uma infecção bacteriana grave das vias biliares, geralmente precipitada por obstrução biliar, sendo a coledocolitíase a causa mais comum. É uma emergência médica que exige reconhecimento e tratamento rápidos para evitar complicações como sepse e abscesso hepático. O quadro clínico clássico é a tríade de Charcot: febre, dor em hipocôndrio direito e icterícia. Em casos mais graves, pode evoluir para a pêntade de Reynolds, que adiciona hipotensão e alteração do estado mental. A fisiopatologia envolve a estase biliar causada pela obstrução, que favorece a proliferação bacteriana ascendente do duodeno. O diagnóstico é clínico, laboratorial (leucocitose, aumento de bilirrubinas, enzimas hepáticas) e por imagem. A ultrassonografia abdominal é o exame inicial, podendo mostrar cálculos na vesícula e dilatação das vias biliares. A ausência de fator obstrutivo claro na USG não exclui colangite, e outros exames como colangioressonância ou CPRE podem ser necessários. A conduta imediata para colangite aguda é a estabilização do paciente, analgesia e, fundamentalmente, o início de antibioticoterapia de amplo espectro. A drenagem biliar, seja por CPRE (colangiopancreatografia retrógrada endoscópica), drenagem percutânea ou cirurgia, é frequentemente necessária para aliviar a obstrução e controlar a infecção, especialmente em casos de colangite grave ou refratária ao tratamento clínico.
A colangite aguda é caracterizada pela tríade de Charcot: febre, dor no quadrante superior direito do abdome e icterícia. Em casos graves, pode evoluir para a pêntade de Reynolds, que inclui os sintomas da tríade mais hipotensão e alteração do estado mental.
A conduta inicial inclui estabilização hemodinâmica, analgesia e, crucialmente, o início imediato de antibioticoterapia de amplo espectro para cobrir patógenos entéricos comuns, como E. coli e Klebsiella.
A ultrassonografia pode identificar cálculos na vesícula biliar e, mais importante, evidenciar dilatação das vias biliares intra ou extra-hepáticas, sugerindo obstrução e infecção. No entanto, a ausência de um fator obstrutivo evidente não exclui o diagnóstico.
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