UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2024
Mulher, 45 anos, refere história de dor abdominal em quadrante superior direito associada a pico febril (temperatura axilar = 38ºC). Exame físico: lúcida; orientada; hemodinamicamente estável; ictérica (2+/4+); dor abdominal em hipocôndrio direito, sem sinais de irritação peritoneal. Ultrassonografia (US) do abdome: vesícula biliar com parede de 2mm contendo múltiplos cálculos em seu interior; colédoco medindo 10mm. A principal hipótese diagnóstica e o melhor método diagnóstico a ser solicitado para confirmála são:
Colangite aguda: Tríade de Charcot (dor QSD, febre, icterícia) + dilatação colédoco na USG → RM via biliar para confirmação.
A presença da tríade de Charcot (dor em quadrante superior direito, febre e icterícia) em um paciente com cálculos na vesícula e dilatação do colédoco na ultrassonografia é altamente sugestiva de colangite aguda. A ressonância magnética de via biliar (colangiorressonância) é o método diagnóstico não invasivo de escolha para avaliar a via biliar e confirmar a presença de coledocolitíase, que é a causa mais comum de colangite.
A colangite aguda é uma infecção grave da árvore biliar, frequentemente causada por obstrução do ducto biliar comum, sendo a coledocolitíase a etiologia mais comum. É uma condição que exige reconhecimento e tratamento rápidos devido ao risco de sepse e alta mortalidade. Sua incidência aumenta com a idade e em pacientes com histórico de cálculos biliares. O diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações graves. A suspeita clínica de colangite aguda baseia-se na presença da tríade de Charcot (dor em quadrante superior direito, febre e icterícia). Exames laboratoriais tipicamente revelam leucocitose, elevação de bilirrubinas (principalmente direta), fosfatase alcalina e gama-GT. A ultrassonografia abdominal é o exame inicial para avaliar a vesícula biliar e a dilatação do colédoco. No entanto, para confirmar a presença e localização da obstrução, a colangiorressonância magnética é o método de imagem de escolha por sua alta acurácia e caráter não invasivo. O tratamento da colangite aguda envolve antibioticoterapia empírica de amplo espectro, suporte clínico e, fundamentalmente, a descompressão da via biliar. A descompressão pode ser realizada por colangiopancreatografia endoscópica retrógrada (CPRE) com esfincterotomia e remoção de cálculos, ou, em casos selecionados, por drenagem percutânea ou cirúrgica. O prognóstico depende da gravidade da apresentação e da rapidez da intervenção.
Os sinais e sintomas clássicos da colangite aguda incluem a tríade de Charcot: dor em quadrante superior direito, febre e icterícia. Em casos mais graves, pode evoluir para a pêntade de Reynolds, que adiciona hipotensão e alteração do estado mental.
A ressonância magnética de via biliar (colangiorressonância) é o melhor método diagnóstico não invasivo porque oferece alta sensibilidade e especificidade para detectar cálculos na via biliar principal (coledocolitíase) e outras causas de obstrução, sem a necessidade de contraste iodado ou radiação ionizante.
A colecistite aguda é a inflamação da vesícula biliar, geralmente por obstrução do ducto cístico, manifestando-se com dor em QSD e febre, mas raramente icterícia. A colangite aguda é a inflamação da via biliar principal, geralmente por coledocolitíase, e cursa com a tríade de Charcot (dor, febre, icterícia) devido à obstrução do fluxo biliar.
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