Colangite Aguda: Diagnóstico e Conduta de Urgência

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 42 anos de idade, foi admitida no Serviço de Emergência com icterícia há 1 semana, acompanhada de queda do estado geral e dor abdominal há 2 dias. Relata a urina mais escurecida. Ao exame físico, encontra-se em regular estado geral, temperatura de 38,1 °C, ictérica, FC de 110 bpm, PA de 100x60 mmHg; abdome flácido, doloroso à palpação profunda do hipocôndrio direito, sem massas palpáveis; sem outras alterações.Exames laboratoriais:Hb: 13,9 g/dLHt: 40%Leucograma: 15.326/mm³Creatinina: 1,5 mg/dLUreia: 60 mg/dLPCR: 180 mg/LTGO/AST: 269 U/LTGP/ALT: 211 U/LFA: 301 U/LGGT: 441 U/LBilirrubina total: 9,7 mg/dLBilirrubina direta: 8,5 mg/dLAmilase: 130 U/LFoi realizada ultrassonografia de abdome com os seguintes achados: vesícula biliar com múltiplos cálculos de até 0,5 cm, paredes finas e sem delaminação, via biliar extra-hepática com 1,1 cm, sem identificação de fatores obstrutivos evidentes ao método. Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual é a melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Colangioressonância.
  2. B) Colangiografia endoscópica.
  3. C) Colecistectomia com colangiografia.
  4. D) Colecistostomia percutânea.

Pérola Clínica

Colangite aguda (febre, icterícia, dor HD) com sinais de gravidade → CPRE de urgência para desobstrução biliar.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sinais clássicos de colangite aguda (Tríade de Charcot) e marcadores de gravidade (leucocitose, PCR elevado, disfunção renal). A dilatação da via biliar na USG, mesmo sem obstrução evidente, reforça a hipótese. A CPRE é a conduta de escolha por ser diagnóstica e terapêutica, permitindo a desobstrução imediata.

Contexto Educacional

A colangite aguda é uma infecção grave das vias biliares, geralmente causada por obstrução biliar e estase, que permite a proliferação bacteriana. É uma emergência médica que requer reconhecimento e tratamento rápidos. A etiologia mais comum é a coledocolitíase, mas estenoses, tumores e parasitas também podem causar obstrução. A apresentação clínica clássica é a Tríade de Charcot (febre, dor no hipocôndrio direito e icterícia), e em casos graves, a Pêntade de Reynolds (Tríade + hipotensão e alteração do estado mental) indica um prognóstico reservado. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com leucocitose, elevação de marcadores inflamatórios (PCR), bilirrubinas (predomínio direto), fosfatase alcalina e gama-GT. Exames de imagem como a ultrassonografia abdominal são úteis para identificar a causa da obstrução e a dilatação das vias biliares. Em casos de colangite aguda, especialmente com sinais de gravidade, a desobstrução biliar é prioritária. A Colangiografia Endoscópica Retrógrada (CPRE) é a conduta de escolha para a colangite aguda, pois permite tanto o diagnóstico detalhado da obstrução quanto a intervenção terapêutica imediata, como a esfincterotomia e a remoção de cálculos. O atraso na desobstrução pode levar a complicações graves como sepse, abscesso hepático e falência de múltiplos órgãos. Antibioticoterapia de amplo espectro também é fundamental no manejo da colangite aguda.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para colangite aguda?

O diagnóstico de colangite aguda é baseado na Tríade de Charcot (febre, icterícia e dor no quadrante superior direito do abdome). Em casos mais graves, pode-se observar a Pêntade de Reynolds, que adiciona hipotensão e alteração do estado mental. Exames laboratoriais mostram leucocitose, elevação de bilirrubinas (predomínio direto), fosfatase alcalina e gama-GT.

Quando a CPRE é indicada em casos de colangite aguda?

A Colangiografia Endoscópica Retrógrada (CPRE) é a conduta de escolha e deve ser realizada de urgência em pacientes com colangite aguda moderada a grave, ou naqueles com sinais de obstrução biliar persistente, para descompressão e remoção da causa da obstrução (ex: cálculos).

Qual o papel da ultrassonografia no diagnóstico da colangite?

A ultrassonografia abdominal é o exame inicial para avaliar a via biliar, podendo identificar colelitíase, dilatação das vias biliares e, ocasionalmente, coledocolitíase. Embora a ausência de obstrução evidente na USG não exclua a colangite, a dilatação da via biliar (como 1,1 cm no caso) é um forte indício de obstrução.

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