Colangite Aguda: Diagnóstico Laboratorial Essencial

Santa Casa de Votuporanga (SP) — Prova 2022

Enunciado

Uma paciente do sexo feminino, 45 anos apresenta quadro de dor no quadrante superior direito e epigástrio com cerca de 12 horas de evolução, associada à náuseas e vômitos. Nega episódios anteriores. Refere hipertensão arterial sistêmica em uso de medicação. Relata três cesarianas prévias. Ao exame, apresenta-se desidratada, taquicárdica, febril e levemente ictérica. Assinale a alternativa que apresenta CORRETAMENTE as laboratoriais esperadas para essa paciente.

Alternativas

  1. A) Enzimas canaliculares inalteradas.
  2. B) Amilase elevada com lipase normal.
  3. C) Provas de atividade inflamatória normais.
  4. D) Transaminases bastante aumentadas.

Pérola Clínica

Colecistite/Colangite com icterícia → Elevação de bilirrubinas, FA, GGT. Amilase pode elevar sem lipase se houver irritação pancreática leve.

Resumo-Chave

Paciente com dor em QSD, febre e icterícia sugere colangite aguda ou coledocolitíase complicada. Nesses casos, espera-se elevação de marcadores de colestase (bilirrubinas, FA, GGT) e inflamação. A elevação isolada ou desproporcional da amilase em relação à lipase pode ocorrer em irritação pancreática leve ou obstrução biliar, sem necessariamente indicar pancreatite franca.

Contexto Educacional

A paciente apresenta um quadro clínico clássico de colangite aguda, caracterizado pela tríade de Charcot (dor no quadrante superior direito, febre e icterícia), associado a náuseas e vômitos. A colangite aguda é uma infecção bacteriana das vias biliares, geralmente secundária à obstrução do ducto biliar comum, mais frequentemente por cálculos (coledocolitíase). É uma emergência médica que requer diagnóstico e tratamento rápidos. Do ponto de vista fisiopatológico, a obstrução biliar leva à estase da bile, que se torna um meio propício para a proliferação bacteriana ascendente do duodeno. Isso resulta em inflamação e infecção sistêmica. O diagnóstico é baseado na clínica, exames laboratoriais e de imagem. Laboratorialmente, espera-se leucocitose com desvio à esquerda, elevação de marcadores inflamatórios (PCR), hiperbilirrubinemia (predomínio da direta), e aumento das enzimas canaliculares (fosfatase alcalina e gama-GT). As transaminases (AST/ALT) podem estar elevadas, mas raramente atingem níveis muito altos (>1000 U/L), a menos que haja dano hepatocelular grave. Em relação às enzimas pancreáticas, a amilase e a lipase podem estar elevadas se houver pancreatite biliar concomitante, que é uma complicação comum da coledocolitíase. No entanto, uma elevação isolada ou desproporcional da amilase (com lipase normal ou levemente elevada) pode ocorrer em casos de obstrução do ducto biliar comum que causa irritação do ducto pancreático sem uma pancreatite franca. O tratamento envolve estabilização do paciente, antibioticoterapia de amplo espectro e descompressão biliar (geralmente por CPRE ou cirurgia) para remover a obstrução.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados laboratoriais na colangite aguda?

Na colangite aguda, espera-se leucocitose, elevação de marcadores inflamatórios (PCR), aumento de bilirrubinas (predomínio da direta), fosfatase alcalina e gama-GT. Transaminases podem estar elevadas, mas geralmente não "bastante aumentadas".

Por que a amilase pode estar elevada na obstrução biliar sem pancreatite?

A amilase pode estar levemente elevada na obstrução biliar devido à irritação ou refluxo de bile para o ducto pancreático, mesmo na ausência de pancreatite aguda clinicamente significativa.

Como diferenciar a colangite aguda de uma colecistite aguda sem coledocolitíase?

A presença de icterícia e elevação significativa de bilirrubinas, fosfatase alcalina e gama-GT sugere coledocolitíase e/ou colangite, enquanto na colecistite aguda não complicada esses marcadores podem estar normais ou discretamente alterados.

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