Santa Casa de Votuporanga (SP) — Prova 2022
Uma paciente do sexo feminino, 45 anos apresenta quadro de dor no quadrante superior direito e epigástrio com cerca de 12 horas de evolução, associada à náuseas e vômitos. Nega episódios anteriores. Refere hipertensão arterial sistêmica em uso de medicação. Relata três cesarianas prévias. Ao exame, apresenta-se desidratada, taquicárdica, febril e levemente ictérica. Assinale a alternativa que apresenta CORRETAMENTE as laboratoriais esperadas para essa paciente.
Colecistite/Colangite com icterícia → Elevação de bilirrubinas, FA, GGT. Amilase pode elevar sem lipase se houver irritação pancreática leve.
Paciente com dor em QSD, febre e icterícia sugere colangite aguda ou coledocolitíase complicada. Nesses casos, espera-se elevação de marcadores de colestase (bilirrubinas, FA, GGT) e inflamação. A elevação isolada ou desproporcional da amilase em relação à lipase pode ocorrer em irritação pancreática leve ou obstrução biliar, sem necessariamente indicar pancreatite franca.
A paciente apresenta um quadro clínico clássico de colangite aguda, caracterizado pela tríade de Charcot (dor no quadrante superior direito, febre e icterícia), associado a náuseas e vômitos. A colangite aguda é uma infecção bacteriana das vias biliares, geralmente secundária à obstrução do ducto biliar comum, mais frequentemente por cálculos (coledocolitíase). É uma emergência médica que requer diagnóstico e tratamento rápidos. Do ponto de vista fisiopatológico, a obstrução biliar leva à estase da bile, que se torna um meio propício para a proliferação bacteriana ascendente do duodeno. Isso resulta em inflamação e infecção sistêmica. O diagnóstico é baseado na clínica, exames laboratoriais e de imagem. Laboratorialmente, espera-se leucocitose com desvio à esquerda, elevação de marcadores inflamatórios (PCR), hiperbilirrubinemia (predomínio da direta), e aumento das enzimas canaliculares (fosfatase alcalina e gama-GT). As transaminases (AST/ALT) podem estar elevadas, mas raramente atingem níveis muito altos (>1000 U/L), a menos que haja dano hepatocelular grave. Em relação às enzimas pancreáticas, a amilase e a lipase podem estar elevadas se houver pancreatite biliar concomitante, que é uma complicação comum da coledocolitíase. No entanto, uma elevação isolada ou desproporcional da amilase (com lipase normal ou levemente elevada) pode ocorrer em casos de obstrução do ducto biliar comum que causa irritação do ducto pancreático sem uma pancreatite franca. O tratamento envolve estabilização do paciente, antibioticoterapia de amplo espectro e descompressão biliar (geralmente por CPRE ou cirurgia) para remover a obstrução.
Na colangite aguda, espera-se leucocitose, elevação de marcadores inflamatórios (PCR), aumento de bilirrubinas (predomínio da direta), fosfatase alcalina e gama-GT. Transaminases podem estar elevadas, mas geralmente não "bastante aumentadas".
A amilase pode estar levemente elevada na obstrução biliar devido à irritação ou refluxo de bile para o ducto pancreático, mesmo na ausência de pancreatite aguda clinicamente significativa.
A presença de icterícia e elevação significativa de bilirrubinas, fosfatase alcalina e gama-GT sugere coledocolitíase e/ou colangite, enquanto na colecistite aguda não complicada esses marcadores podem estar normais ou discretamente alterados.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo