Colangite Aguda: Diagnóstico e Conduta Inicial no Pronto-Socorro

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026

Enunciado

Um homem de 43 anos chega ao pronto-socorro queixando-se de dor moderada no quadrante superior direito e febre nas últimas 24 horas. Nega outros problemas de saúde, tabagismo, consumo de álcool e drogas ilícitas. Sua temperatura é de 38,3ºC, a PA é de 120x70 mmHg, a FC é de 96 bpm e a Frequência Respiratória (FR) é de 18 irpm. Apresenta icterícia leve nas escleras e na conjuntiva oral. O abdômen é flácido, depressível e moderadamente sensível à palpação do quadrante superior direito, com leve defesa. Os ruídos hidroaéreos abdominais estão levemente aumentados. Os exames laboratoriais do paciente revelam leucometria de 16.000 cel/dL, bilirrubina total de 3,6 mg/dL, bilirrubina direta de 2,8 mg/dL, fosfatase alcalina de 500 U/L, aspartato aminotransferase de 38 U/L, alanina aminotransferase de 43 U/L e amilase de 70 U/L. A conduta imediata mais apropriada no tratamento desse paciente é:

Alternativas

  1. A) Endoscopia digestiva alta.
  2. B) Colecistectomia laparoscópica.
  3. C) Hemoculturas e adoção de antibioticoterapia.
  4. D) Litotripsia por ondas de choque extracorpórea.

Pérola Clínica

Tríade de Charcot (Dor + Febre + Icterícia) → Colangite Aguda → Estabilização + ATB + Drenagem.

Resumo-Chave

A colangite aguda é uma emergência médica causada por obstrução biliar e infecção. O manejo imediato exige estabilização hemodinâmica, coleta de hemoculturas e início de antibioticoterapia sistêmica.

Contexto Educacional

A colangite aguda resulta da combinação de obstrução biliar e presença de bactérias na bile. A pressão intraductal elevada facilita a translocação bacteriana para a circulação sistêmica (refluxo colangiovenoso), levando rapidamente à sepse. Os patógenos mais comuns são Gram-negativos entéricos como E. coli e Klebsiella. O diagnóstico baseia-se nos critérios de Tóquio (TG18), que consideram sinais de inflamação sistêmica, colestase e evidência de imagem de obstrução biliar. O manejo inicial foca na estabilização e controle da infecção, deixando procedimentos cirúrgicos definitivos, como a colecistectomia, para um segundo momento após a resolução do quadro agudo infeccioso.

Perguntas Frequentes

O que compõe a Tríade de Charcot e qual sua importância?

A Tríade de Charcot é composta por dor abdominal no quadrante superior direito, febre com calafrios e icterícia. Sua presença é altamente sugestiva de colangite aguda, uma infecção bacteriana ascendente das vias biliares secundária à obstrução (geralmente por coledocolitíase). Embora tenha alta especificidade, sua sensibilidade é moderada, o que significa que a ausência de um dos componentes não exclui o diagnóstico se houver forte suspeita clínica e alterações laboratoriais de colestase.

Qual a diferença entre a Tríade de Charcot e a Pêntade de Reynolds?

A Pêntade de Reynolds é uma extensão da Tríade de Charcot, adicionando hipotensão (choque obstrutivo/séptico) e alteração do nível de consciência (confusão mental). Ela indica um quadro de colangite supurativa grave com sepse sistêmica, exigindo intervenção imediata. Enquanto a tríade sugere o diagnóstico, a pêntade sinaliza gravidade extrema e necessidade urgente de descompressão biliar, além de suporte intensivo em UTI.

Qual a sequência correta do tratamento na colangite aguda?

O tratamento baseia-se em três pilares: 1) Suporte clínico com reposição volêmica e correção de distúrbios eletrolíticos; 2) Antibioticoterapia de amplo espectro iniciada precocemente após coleta de hemoculturas; 3) Descompressão biliar. Em casos leves a moderados, a descompressão pode ser eletiva/urgente em 24-48h. Em casos graves (Pêntade de Reynolds), a drenagem biliar (preferencialmente por CPRE) deve ser realizada de forma emergencial.

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