SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2025
Paciente feminina, 64 anos veio ao pronto-socorro com quadro de dor abdominal intensa, em hipocôndrio direito, colúria, icterícia e febre de 38 – 39ºC há 8 dias. A dor é acompanhada de náuseas e vômitos após alimentação. O hábito intestinal é normal. Ao exame, encontra-se confusa, taquicárdica, com frequência cardíaca= 120 bpm, pressão arterial= 70 x 50 mmHg, febril (temperatura: 38,9°C), ictérica (3+/4) e com perfusão capilar periférica de 5s. A frequência respiratória é de 25 irpm e a oximetria, 90% em ar ambiente. O abdome está doloroso à palpação profunda em andar superior, sendo pior em hipocôndrio direito, mas sem descompressão dolorosa. Baseado nesse quadro clínico, qual a hipótese diagnóstica mais provável?
Dor HD + febre + icterícia (Tríade Charcot) + hipotensão + confusão (Pêntade Reynolds) = Colangite aguda grave.
O quadro clínico da paciente, com dor em hipocôndrio direito, febre e icterícia (Tríade de Charcot), associado a hipotensão e alteração do nível de consciência (Pêntade de Reynolds), é altamente sugestivo de colangite aguda grave, uma emergência médica que requer tratamento imediato, incluindo suporte hemodinâmico e drenagem biliar.
A colangite aguda é uma infecção bacteriana do trato biliar, geralmente secundária a uma obstrução (cálculos, estenoses, tumores). É uma condição grave que pode rapidamente progredir para sepse e choque, com alta mortalidade se não tratada prontamente. A sua identificação é crucial para qualquer médico de emergência ou residente. O diagnóstico clínico baseia-se na Tríade de Charcot (dor em hipocôndrio direito, febre e icterícia). Em casos graves, a Pêntade de Reynolds (Tríade de Charcot mais hipotensão e alteração do estado mental) indica colangite supurativa e sepse biliar. Exames laboratoriais mostrarão leucocitose, elevação de bilirrubinas e enzimas hepáticas. A imagem (ultrassonografia, TC ou colangio-RM) confirma a obstrução e dilatação das vias biliares. O tratamento da colangite aguda envolve estabilização clínica, antibioticoterapia empírica de amplo espectro e drenagem biliar urgente. A drenagem pode ser realizada por colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE), drenagem biliar percutânea ou, em casos selecionados, cirurgia. O prognóstico depende da gravidade da doença e da rapidez da intervenção.
A Tríade de Charcot consiste em dor em hipocôndrio direito, febre e icterícia. A Pêntade de Reynolds adiciona hipotensão e alteração do estado mental a esses três sintomas, indicando colangite aguda grave.
A colangite aguda resulta da obstrução do trato biliar (por cálculos, estenoses, tumores) com infecção bacteriana ascendente. A estase biliar e a proliferação bacteriana levam à inflamação e infecção sistêmica, podendo evoluir para sepse e choque séptico.
A conduta inicial inclui estabilização hemodinâmica (fluidos, vasopressores), antibioticoterapia de amplo espectro com cobertura para gram-negativos e anaeróbios, e drenagem biliar urgente (endoscópica via CPRE ou percutânea).
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