UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2022
Paciente, 32 anos de idade, chega ao pronto-socorro com história de ter notado que suas escleras e pele tornaram-se amareladas, há 1 semana, e, há 1 dia, percebe febre de 38,2◦C e dor de andar superior de abdome. Ao exame físico, apenas icterícia de ++/4 e dor à palpação de andar superior de abdome sem sinais de peritonite. O restante do exame físico era normal. Os exames laboratoriais mostravam: bilirrubina total de 7,2 mg/dL (normal até 1,2 mg/dL), a custas de direta, gamaglutamil transferase 198 U/L (normal 50 U/L), fosfatase alcalina 480 U/L (normal 129 U/L), hemograma com 18.000 leucócitos com distribuição normal, proteína C reática – PCR 23 mg/dL (normal 0,3 mg/dL), aspartato aminotransferase – AST 86 U/L (normal 40 U/L), alanina aminotransferase – ALT 102 U/L (normal 56 U/L), amilase normal, glicemia normal. Solicitado ultrassom de abdome total que evidenciou colecistopatia litiásica (vários cálculos menores que 1 cm), dilatação de vias biliares intra e extra-hepática (colédoco com 1,2 cm).Com base no texto, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a melhor conduta terapêutica a ser indicada para esse paciente no momento do diagnóstico.
Tríade de Charcot (febre, icterícia, dor QSD) + dilatação de vias biliares + leucocitose → Colangite Aguda. Conduta: ATB IV + CPRE (drenagem).
O paciente apresenta a tríade de Charcot (febre, icterícia, dor em andar superior de abdome) e exames laboratoriais e de imagem compatíveis com colangite aguda obstrutiva por coledocolitíase. A conduta imediata é antibioticoterapia endovenosa para controlar a infecção e, em seguida, a desobstrução das vias biliares por Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE) para drenagem.
A colangite aguda é uma infecção grave das vias biliares, frequentemente associada à obstrução do fluxo biliar, sendo a coledocolitíase a causa mais comum. É uma emergência médica que pode evoluir rapidamente para sepse e falência de múltiplos órgãos se não tratada prontamente. A apresentação clássica é a tríade de Charcot (febre, icterícia e dor no quadrante superior direito do abdome), e em casos graves, a pêntade de Reynolds adiciona hipotensão e alteração do estado mental. A fisiopatologia envolve a proliferação bacteriana nas vias biliares estagnadas devido à obstrução. O diagnóstico é clínico, laboratorial (elevação de bilirrubinas, GGT, FA, leucocitose, PCR) e por imagem (ultrassom, tomografia ou ressonância mostrando dilatação das vias biliares e a causa da obstrução). A identificação precoce é vital para o prognóstico. O tratamento da colangite aguda é multifacetado, incluindo antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro para cobrir patógenos entéricos comuns e, crucialmente, a drenagem da via biliar obstruída. A Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE) é o método de escolha para a descompressão biliar, permitindo a remoção de cálculos ou a colocação de stents. A colecistectomia para a colecistopatia litiásica subjacente é geralmente realizada em um segundo momento, após a resolução do quadro agudo. Para residentes, é fundamental dominar o reconhecimento e o manejo sequencial dessa condição grave.
A colangite aguda é diagnosticada pela presença da tríade de Charcot (febre, icterícia e dor no quadrante superior direito do abdome), associada a evidências laboratoriais de inflamação (leucocitose, PCR elevado) e exames de imagem que mostram dilatação das vias biliares e/ou causa obstrutiva (cálculos, estenoses).
A CPRE é fundamental para a colangite aguda, especialmente quando há obstrução biliar. Ela permite a descompressão e drenagem da via biliar, removendo cálculos ou inserindo stents, o que é crucial para controlar a infecção e prevenir complicações graves como a sepse biliar.
A colecistectomia é indicada para tratar a colecistopatia litiásica subjacente, mas geralmente é realizada após a resolução do quadro agudo de colangite e a drenagem da via biliar. Em casos de colangite grave, a prioridade é a estabilização do paciente e a drenagem biliar, com a colecistectomia sendo um procedimento eletivo posterior.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo