Colangite Aguda Grave: Diagnóstico e Manejo Urgente

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher, diabética, obesa, 56 anos de idade, é admitida na sala de emergência com quadro de dor abdominal tipo cólica, icterícia, febre e calafrios. Seu pulso é filiforme e taquicárdico (125 batimentos por minuto) e sua pressão arterial de 70 x 40 mmHg. O exame de ultrassonografia abdominal mostra vesícula biliar repleta de cálculos e colédoco com 1,2 cm de diâmetro. Qual o diagnóstico e a melhor conduta nessa paciente, respectivamente?

Alternativas

  1. A) Hepatite aguda viral; jejum e hidratação endovenosa.
  2. B) Colangite; hidratação endovenosa, antibioticoterapia e drenagem da via biliar.
  3. C) Tumor de vesícula biliar; hidratação e quimioterapia.
  4. D) Pancreatite aguda biliar; jejum, hidratação e nutrição parenteral.
  5. E) Colecistite aguda; jejum, hidratação e antibioticoterapia.

Pérola Clínica

Tríade de Charcot (dor, febre, icterícia) + hipotensão e taquicardia → Colangite aguda grave = ATB + drenagem biliar urgente.

Resumo-Chave

A paciente apresenta a tríade de Charcot (dor, febre, icterícia) associada a sinais de choque (pulso filiforme, taquicardia, hipotensão), o que configura a Pêntade de Reynolds, indicativa de colangite aguda grave. A presença de cálculos na vesícula e colédoco dilatado na USG reforça o diagnóstico de obstrução biliar. A conduta inicial é estabilização hemodinâmica, antibioticoterapia e drenagem urgente da via biliar.

Contexto Educacional

A colangite aguda é uma emergência médico-cirúrgica que exige reconhecimento e manejo rápidos. É uma infecção bacteriana das vias biliares, quase sempre associada à obstrução, sendo a colelitíase a causa mais comum. A não intervenção pode levar a sepse grave e alta mortalidade, especialmente em pacientes com comorbidades como diabetes. O diagnóstico clínico é baseado na Tríade de Charcot (dor em QSD, febre, icterícia). Em casos graves, a Pêntade de Reynolds (Tríade de Charcot + hipotensão e alteração do estado mental) indica colangite supurativa e sepse. Exames laboratoriais mostram leucocitose, elevação de enzimas hepáticas e bilirrubinas. A ultrassonografia abdominal é o método inicial para identificar cálculos e dilatação do colédoco. O tratamento da colangite aguda grave é uma tríade: suporte clínico (hidratação, estabilização hemodinâmica), antibioticoterapia de amplo espectro e drenagem da via biliar. A drenagem é crucial para aliviar a obstrução e controlar a infecção, sendo a CPRE (colangiopancreatografia retrógrada endoscópica) o método preferencial. A falha em drenar a via biliar rapidamente em casos graves pode ser fatal.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da colangite aguda?

A colangite aguda é caracterizada pela Tríade de Charcot: dor em hipocôndrio direito, febre e icterícia. Em casos graves, pode evoluir para a Pêntade de Reynolds, que adiciona hipotensão e alteração do estado mental, indicando sepse.

Qual a conduta inicial para um paciente com colangite aguda grave?

A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica com hidratação endovenosa, início de antibioticoterapia de amplo espectro para cobrir germes entéricos e, crucialmente, drenagem urgente da via biliar, que pode ser endoscópica (CPRE) ou percutânea.

Qual a diferença entre colangite e colecistite?

A colecistite é a inflamação da vesícula biliar, geralmente por obstrução do ducto cístico, causando dor em hipocôndrio direito e febre, mas sem icterícia. A colangite é a infecção da via biliar principal, com obstrução do colédoco, resultando em icterícia e maior risco de sepse.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo