Colangite Aguda: Diagnóstico, Gravidade e Manejo Urgente

Santa Casa de Maceió (AL) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 49 anos, procura atendimento médico com dor abdominal em cólicas há 9 dias, intermitentes, que cessavam com escopolamina. Há 2 dias apresentou piora da dor e icterícia associada à febre alta e vômitos. No momento em regular estado geral, desidratada, taquicárdica, taquipneica, confusa, febril, ictérica. Tem dor intensa à palpação de abdome superior, sem sinais de irritação peritoneal. Hemograma com leucocitose importante, amilase normal, com discreto aumento provas de lesão hepatocelular. Realizou ecografia de abdome que evidenciou: vesícula biliar com parede de 2 mm, com cálculos em seu interior, múltiplos, todos com tamanho menor que 10 mm e ducto colédoco com 16 mm, sem visualização de sua porção distal, prejudicado por interposição gasosa. Qual o provável diagnóstico e conduta adequada?

Alternativas

  1. A) Pancreatite aguda biliar – Pancreatectomia corpocaudal.
  2. B) Pancreatite aguda biliar – Dieta zero, hidratação endovenosa e antibioticoprofilaxia.
  3. C) Colecistite aguda Tokyo 3 - derivação externa guiada por imagem.
  4. D) Colangite aguda - drenagem da via biliar e antibioticoterapia.

Pérola Clínica

Febre + Icterícia + Dor abdominal (Tríade Charcot) + Confusão/Hipotensão (Pêntade Reynolds) = Colangite aguda grave → ATB + Drenagem biliar.

Resumo-Chave

A paciente apresenta um quadro clássico de colangite aguda grave, com a presença da Tríade de Charcot (febre, icterícia, dor em QSD) e sinais de gravidade que se assemelham à Pêntade de Reynolds (alteração do estado mental, taquicardia/taquipneia). A dilatação do colédoco e a presença de cálculos na vesícula confirmam a etiologia obstrutiva. O tratamento é emergencial com antibioticoterapia e drenagem da via biliar.

Contexto Educacional

A colangite aguda é uma infecção grave das vias biliares, frequentemente causada por obstrução (cálculos, estenoses, tumores) e proliferação bacteriana. É uma emergência médica que, se não tratada prontamente, pode levar a sepse e óbito. A compreensão de seus sinais e sintomas, como a Tríade de Charcot e a Pêntade de Reynolds, é crucial para o reconhecimento precoce. O diagnóstico é clínico, laboratorial (leucocitose, aumento de bilirrubinas e enzimas hepáticas) e por imagem (ultrassonografia, tomografia ou ressonância evidenciando dilatação das vias biliares e/ou causa da obstrução). A estratificação da gravidade é fundamental para guiar a urgência da intervenção, com pacientes graves necessitando de drenagem biliar imediata. O tratamento da colangite aguda envolve antibioticoterapia empírica de amplo espectro, cobrindo gram-negativos e anaeróbios, e drenagem da via biliar. A drenagem pode ser endoscópica (CPRE), percutânea (drenagem trans-hepática) ou cirúrgica, dependendo da causa e da condição do paciente. A falha em drenar a via biliar em tempo hábil pode resultar em alta morbimortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da colangite aguda?

Os sinais clássicos incluem a Tríade de Charcot (febre, icterícia e dor em quadrante superior direito do abdome). Em casos graves, pode evoluir para a Pêntade de Reynolds, adicionando hipotensão e alteração do estado mental.

Qual a conduta inicial para um paciente com colangite aguda grave?

A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica, antibioticoterapia de amplo espectro e drenagem urgente da via biliar, que pode ser realizada por CPRE (colangiopancreatografia retrógrada endoscópica), drenagem percutânea ou cirurgia.

Como diferenciar colangite aguda de colecistite aguda?

A colangite aguda é uma infecção da via biliar principal, geralmente associada a obstrução do ducto colédoco, manifestando-se com icterícia e dilatação biliar. A colecistite aguda é a inflamação da vesícula biliar, sem icterícia significativa ou dilatação do colédoco, a menos que haja coledocolitíase associada.

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