UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2024
Mulher, 38 anos de idade, apresenta dor abdominal há 3 dias, com intensidade progressiva, no hipocôndrio direito, irradiada para região interescapular, acompanhada de náuseas e vômitos. Refere episódio de febre não mensurada e escurecimento de urina. Exame físico: REG, FC = 95 bpm, PA = 130/80 mm Hg, T = 39 ºC, sudoreica, ictéricia = 1+/4+, dor à palpação do hipocôndrio direito e ausência de sinais de irritação peritoneal. Exame laboratorial: glicemia = 100 mg/dL, creatinina = 0,6, bilirrubina total = 2,8 (2,2 de direta) e leucocitose = 18.300 /mm3. Ultrassonografia abdominal: vesícula biliar normodistendida, paredes finas, cálculos móveis no seu interior, colédoco com 0,8 mm de diâmetro, colédoco distal de difícil avaliação. Pelos critérios de Tokyo 2018 esta paciente apresenta:
Colangite Aguda (Critérios de Tóquio 2018): Grau II = disfunção de órgão (leucocitose >18k) ou falha de resposta inicial.
A paciente apresenta colangite aguda com febre, dor no hipocôndrio direito, icterícia e leucocitose de 18.300/mm3. Pelos Critérios de Tóquio 2018, uma leucocitose >18.000/mm3 é um critério de disfunção de órgão (inflamação sistêmica), classificando a colangite como Grau II (moderada).
A colangite aguda é uma infecção bacteriana das vias biliares, geralmente associada à obstrução do fluxo biliar. É uma condição grave que requer diagnóstico e tratamento rápidos. Os Critérios de Tóquio 2018 (TG18) são amplamente aceitos para o diagnóstico e a classificação da gravidade da colangite aguda, auxiliando na tomada de decisão clínica e no prognóstico. O diagnóstico baseia-se na presença de inflamação sistêmica (febre, leucocitose), colestase (icterícia, enzimas hepáticas elevadas) e achados de imagem (dilatação biliar, causa da obstrução). Uma vez diagnosticada, a colangite aguda é classificada em três graus de gravidade: Grau I (leve), Grau II (moderada) e Grau III (grave). Essa classificação é crucial para guiar o manejo terapêutico. O Grau II é definido pela presença de dois ou mais critérios de disfunção de órgão ou pela falha de resposta ao tratamento inicial. Os critérios de disfunção de órgão incluem leucocitose >18.000/mm3 ou <4.000/mm3, febre >39°C, idade >75 anos, bilirrubina total >5 mg/dL e hipoalbuminemia. O Grau III, por sua vez, envolve disfunção de múltiplos órgãos, como cardiovascular, neurológica, respiratória, renal ou hepática. No caso apresentado, a paciente tem febre, icterícia, dor no hipocôndrio direito e, crucialmente, leucocitose de 18.300/mm3. Este valor de leucocitose (>18.000/mm3) é um dos critérios para disfunção de órgão, o que a classifica como colangite aguda Grau II. O manejo da colangite aguda envolve antibioticoterapia empírica de amplo espectro e drenagem biliar, que pode ser endoscópica (CPRE), percutânea ou cirúrgica, dependendo da gravidade e da causa da obstrução.
Os critérios diagnósticos incluem A (evidência de inflamação sistêmica: febre/calafrios, leucocitose), B (evidência de colestase: icterícia, enzimas hepáticas alteradas) e C (evidência de imagem: dilatação biliar, causa da obstrução). O diagnóstico é feito com um critério de A, um de B e um de C.
A gravidade é classificada em Grau I (leve), Grau II (moderada) e Grau III (grave). O Grau II é definido pela presença de dois ou mais critérios de disfunção de órgão (leucocitose >18k, febre >39°C, idade >75 anos, bilirrubina >5 mg/dL, hipoalbuminemia) ou falha de resposta ao tratamento inicial. O Grau III envolve disfunção de múltiplos órgãos.
A leucocitose é um critério de inflamação sistêmica para o diagnóstico de colangite aguda. Uma leucocitose >18.000/mm3, especificamente, é um dos critérios para classificar a colangite como Grau II (moderada) pelos Critérios de Tóquio 2018, indicando uma resposta inflamatória mais intensa.
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