HMMG - Hospital e Maternidade Municipal de Guarulhos (SP) — Prova 2020
Paciente feminina, 40 anos, dá entrada no pronto socorro queixando-se de febre há 1 dia, associada à dor abdominal em hipocôndrio direito e dispneia. Está na fila aguardando colecistectomia eletiva. Nega vômitos. Ao exame físico apresenta-se em mal estado geral, corada, desidratada, taquipneica, ictérica +++/4+, acianótica, febril. Hipotensa e taquicárdica, bulhas cardíacas rítmicas, sem sopros, com murmúrio vesicular presente. Consciente. Exames laboratoriais evidenciam leucocitose, aumento de marcadores de lesão hepática e enzimas canaliculares. Amilase normal. O provável diagnóstico, e a conduta mais adequada é:
Febre + Icterícia + Dor HD + Sinais de sepse → Colangite aguda grave = Drenagem biliar urgente.
A paciente apresenta a tríade de Charcot (febre, dor HD, icterícia) e sinais de sepse (hipotensão, taquicardia), caracterizando uma colangite aguda grave (pêntade de Reynolds). A conduta imediata é a drenagem biliar, preferencialmente por via endoscópica (CPRE).
A colangite aguda é uma infecção grave do trato biliar, geralmente precipitada por obstrução biliar (cálculos, estenoses, tumores). É uma emergência médica que pode evoluir rapidamente para sepse e falência de múltiplos órgãos se não for tratada prontamente. Residentes de cirurgia, clínica médica e emergência devem estar aptos a reconhecer e manejar essa condição. O quadro clínico clássico é a tríade de Charcot (febre, dor em hipocôndrio direito e icterícia). Em casos graves, pode progredir para a pêntade de Reynolds, que adiciona hipotensão e alteração do estado mental, indicando sepse biliar. Os exames laboratoriais tipicamente mostram leucocitose, elevação de bilirrubinas (principalmente direta) e enzimas canaliculares (FA, GGT). A amilase normal ajuda a descartar pancreatite como causa primária. A conduta inicial inclui suporte hemodinâmico, antibioticoterapia de amplo espectro e analgesia. No entanto, a pedra angular do tratamento da colangite aguda grave é a drenagem biliar urgente para aliviar a obstrução e controlar a fonte da infecção. A colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) com esfincterotomia e remoção de cálculos ou colocação de stent é o método preferencial. Em casos onde a CPRE não é possível ou falha, a drenagem biliar percutânea ou cirúrgica pode ser necessária.
Os critérios de Tóquio 2018 incluem evidência de inflamação sistêmica (febre, leucocitose), evidência de colestase (icterícia, enzimas canaliculares elevadas) e evidência de imagem de obstrução biliar.
A tríade de Charcot consiste em febre, dor em hipocôndrio direito e icterícia. A pêntade de Reynolds adiciona a esses sintomas hipotensão e alteração do estado mental, indicando colangite aguda grave com sepse.
A colangite aguda grave é causada por obstrução e infecção do trato biliar. A drenagem biliar urgente, seja endoscópica (CPRE) ou percutânea, é essencial para aliviar a obstrução, controlar a infecção e prevenir a progressão para sepse e falência de múltiplos órgãos.
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