Colangite Aguda: Diagnóstico e Manejo com CPRE

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 41 anos, portadora de colelitíase assintomática, refere aparecimento há um dia de dor abdominal em região de epigástrio e hipocôndrio direito, acompanhada de náuseas, vômitos, icterícia, colúria e acolia fecal, seguida de febre e calafrios. Exame físico: REG, IMC: 34 kg/m2, descorada +/4+, desidratada ++/4+, ictérica ++/4+, eupneica, FC: 88 bpm, FR: 20 irpm, PA: 120 x 85 mmhg, temperatura 38, 6°C. Ap. cardiorrespiratório: taquicardia sinusal. Abdome: globoso, levemente distendido, RHA pouco diminuídos, hepatimetria 14 cm, indolor à palpação. Sinal de Murphy negativo, DB negativa. Foram solicitados exames laboratoriais (Imagem1) e uma ultrassonografia que mostra fígado pouco aumentado, homogêneo, dilatação difusa da via biliar até colédoco distal, em que a visualização do fator obstrutivo não é possível pela interposição gasosa. Solicitada, então, uma colangiorressonância magnética para melhor avaliação (Imagem 2).Em face do exposto, assinale a alternativa que contempla, corretamente, o diagnóstico da paciente e a opção terapêutica mais recomendada.

Alternativas

  1. A) Icterícia obstrutiva devido a processos inflamatórios crônicos periampulares / colecistostomia, cateter transpapilar e analgesia.
  2. B) Icterícia hepatocelular em razão da Síndrome de Mirizzi IV / colecistectomia videolaparoscópica, biópsia hepática e anastomose biliodigestiva.
  3. C) Icterícia colestática em razão de coledocolitíase e colangite aguda / manter a paciente em jejum, introduzir antibioticoterapia e indicar descompressão da via biliar pela colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE).
  4. D) Icterícia hepatocelular por neoplasia periampular / jejum, analgesia, biópsia pancreática e complementação diagnóstica com colangiografia transparieto hepática.
  5. E) Colecistite crônica calculosa + hepatite transinfecciosa / jejum, hidratação, antibioticoterapia e colecistectomia eletiva após 2 meses por videolaparoscopia.

Pérola Clínica

Colangite aguda (Charcot/Reynolds) → Jejum, ATB IV, descompressão biliar (CPRE).

Resumo-Chave

A paciente apresenta sinais clássicos de colangite aguda (Tríade de Charcot: febre, dor em QSD, icterícia, e Pêntade de Reynolds: Charcot + hipotensão, alteração do nível de consciência), causada por coledocolitíase. A conduta imediata é estabilização clínica com jejum, hidratação e antibioticoterapia, seguida de descompressão da via biliar por CPRE.

Contexto Educacional

A colangite aguda é uma infecção grave da árvore biliar, geralmente causada por obstrução do ducto biliar comum, mais frequentemente por coledocolitíase. É uma emergência médica que pode levar a sepse e óbito se não tratada prontamente. A epidemiologia está ligada à colelitíase e suas complicações, sendo mais comum em pacientes com histórico de cálculos biliares. A fisiopatologia envolve a estase biliar devido à obstrução, que favorece a proliferação bacteriana. O diagnóstico é clínico, baseado na Tríade de Charcot (febre, icterícia, dor em QSD) e, em casos graves, na Pêntade de Reynolds (Tríade + hipotensão e alteração do nível de consciência). Exames laboratoriais mostram leucocitose, elevação de bilirrubinas e enzimas hepáticas. A ultrassonografia pode evidenciar dilatação das vias biliares, mas a colangiorressonância (MRCP) é mais sensível para identificar a causa da obstrução. O tratamento consiste em medidas de suporte (jejum, hidratação), antibioticoterapia de amplo espectro e, crucialmente, a descompressão da via biliar. A colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) é o método preferencial para desobstrução e drenagem, permitindo a remoção de cálculos ou a colocação de stents. A colecistectomia deve ser considerada após a resolução do quadro agudo para prevenir recorrências.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da colangite aguda?

A colangite aguda é caracterizada pela Tríade de Charcot (febre, dor no quadrante superior direito e icterícia). Em casos mais graves, pode evoluir para a Pêntade de Reynolds, que inclui a tríade mais hipotensão e alteração do nível de consciência.

Qual a conduta inicial para um paciente com colangite aguda?

A conduta inicial para colangite aguda inclui estabilização hemodinâmica, jejum, hidratação venosa e antibioticoterapia de amplo espectro. A descompressão da via biliar é essencial e deve ser realizada prontamente, geralmente por CPRE.

Por que a CPRE é o tratamento de escolha para coledocolitíase e colangite aguda?

A CPRE é o tratamento de escolha porque permite a visualização direta da via biliar, a remoção do cálculo obstrutivo (esfincterotomia e extração) e a drenagem da bile infectada, aliviando a obstrução e tratando a infecção de forma eficaz.

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