Colangite Aguda em Diabéticos: Conduta Inadequada

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2022

Enunciado

MCDL, 78 anos, sexo feminino, iniciou há três dias com icterícia, febre, calafrios, urina escura, náuseas, vômitos e dor lombar. Comorbidades: hipertensão arterial, diabetes melito tipo 2 e osteoartrose de coluna lombar. Fez ultrassonografia de abdome total na urgência que evidenciou: inúmeros cálculos na vesícula biliar, leve dilatação do colédoco e distensão das alças intestinais no abdome superior que não permitiram avaliação do pâncreas e colédoco distal. Em relação à condução do caso a partir desse momento, assinale a alternativa mais INADEQUADA:

Alternativas

  1. A) Indicar internação hospitalar para garantir suporte clínico e acelerar propedêutica (estudo laboratorial e com métodos de imagem).
  2. B) Pedir avaliação laboratorial completa incluindo glicemia, ionograma, função hepática e renal, amilase, lipase, hemograma e exame de urina rotina.
  3. C) Por se tratar de paciente diabética, iniciar imediatamente com antibioticoterapia endovenosa de largo espectro e reavaliar após a melhora do quadro infeccioso.
  4. D) Solicitar tomografia de abdome total para melhor avaliação das vias biliares e do pâncreas.

Pérola Clínica

Colangite aguda grave + DM2 → ATB + descompressão biliar urgente, não apenas reavaliar após melhora.

Resumo-Chave

Em colangite aguda, especialmente em pacientes de alto risco como diabéticos, a antibioticoterapia é essencial, mas a descompressão biliar (via CPRE ou drenagem) é frequentemente necessária e não deve ser postergada aguardando apenas a resposta aos antibióticos, pois a obstrução biliar é a causa subjacente da infecção.

Contexto Educacional

A colangite aguda é uma infecção grave das vias biliares, geralmente causada por obstrução (cálculos, estenoses, tumores). A tríade de Charcot (febre, icterícia, dor em hipocôndrio direito) é clássica, e a pentade de Reynolds adiciona hipotensão e alteração do estado mental, indicando gravidade. É uma emergência médica com alta morbimortalidade se não tratada adequadamente. O diagnóstico baseia-se na clínica, exames laboratoriais (leucocitose, elevação de bilirrubinas e enzimas colestáticas) e exames de imagem (USG, TC, RM) que evidenciam dilatação das vias biliares e/ou cálculos. A presença de diabetes mellitus tipo 2 é um fator de risco para colangite mais grave e com maior taxa de complicações. O tratamento inicial envolve suporte clínico, antibioticoterapia de largo espectro e, crucialmente, a descompressão biliar. Esta pode ser realizada por CPRE (colangiopancreatografia retrógrada endoscópica), drenagem percutânea (PTC) ou cirurgia, dependendo da causa e da condição do paciente. A descompressão não deve ser atrasada em casos de colangite grave ou refratária à antibioticoterapia.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da colangite aguda?

A colangite aguda classicamente se manifesta com a Tríade de Charcot: febre, icterícia e dor em hipocôndrio direito. Em casos graves, pode evoluir para a Pentade de Reynolds, que inclui hipotensão e alteração do estado mental.

Qual a importância da descompressão biliar na colangite aguda?

A descompressão biliar é crucial para remover a obstrução que causa a infecção, permitindo a drenagem da bile infectada. Ela complementa a antibioticoterapia e é essencial para o controle da sepse biliar, especialmente em casos graves ou refratários.

Por que pacientes diabéticos têm maior risco de colangite grave?

Pacientes diabéticos são mais suscetíveis a infecções graves e têm uma resposta imunológica comprometida. A colangite aguda em diabéticos pode ser mais fulminante, com maior risco de sepse, formação de abscesso hepático e pior prognóstico.

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