Colangite Aguda: Diagnóstico e Manejo Urgente

HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2024

Enunciado

Mulher, diabética, obesa e com 59 anos de idade, é atendida no Pronto Atendimento com quadro de dor abdominal tipo cólica, icterícia, febre e calafrios. Seu pulso é filiforme e taquicardíaco (125 bpm) e sua PA é 70 x 40 mmHg. O exame de ultrassonografia abdominal mostra vesícula biliar repleta de cálculos e colédoco com 1,4 cm de diâmetro. Qual o diagnóstico e a melhor conduta para essa paciente?

Alternativas

  1. A) Hepatite aguda viral; jejum e hidratação endovenosa.
  2. B) Pancreatite aguda biliar; jejum, hidratação e nutrição parenteral.
  3. C) Colecistite aguda; jejum, hidratação e antibioticoterapia.
  4. D) Colangite; hidratação endovenosa, antibioticoterapia e drenagem da via biliar.
  5. E) Tumor de vesícula biliar; hidratação e quimioterapia.

Pérola Clínica

Mulher diabética, obesa, icterícia, febre, calafrios, dor abdominal, hipotensão, taquicardia, colédoco dilatado → Colangite aguda + choque = Drenagem biliar + ATB + hidratação.

Resumo-Chave

A paciente apresenta um quadro clássico de colangite aguda grave, com a tríade de Charcot (febre, icterícia, dor em QSD) e sinais de choque séptico (hipotensão, taquicardia), configurando a Pêntade de Reynolds. A dilatação do colédoco com cálculos sugere obstrução biliar. A conduta inicial deve ser agressiva, com hidratação venosa, antibioticoterapia de amplo espectro e, crucialmente, drenagem da via biliar para desobstruir e controlar a infecção.

Contexto Educacional

A colangite aguda é uma infecção grave do trato biliar, geralmente causada por obstrução (mais comumente por cálculos biliares, mas também por estenoses ou tumores) e subsequente proliferação bacteriana. É uma emergência médica com alta morbimortalidade se não tratada prontamente. A epidemiologia mostra maior incidência em pacientes com histórico de doença biliar, como colelitíase ou coledocolitíase. A fisiopatologia envolve a estase biliar e a proliferação bacteriana ascendente. O diagnóstico é clínico, baseado na tríade de Charcot (febre, icterícia, dor em QSD), e em casos graves, na pêntade de Reynolds (adicionando hipotensão e alteração do estado mental). Exames laboratoriais mostram leucocitose, elevação de bilirrubinas e enzimas hepáticas. A ultrassonografia abdominal é o exame inicial para identificar dilatação do colédoco e cálculos. O tratamento é uma emergência e consiste em suporte hemodinâmico (hidratação venosa), antibioticoterapia de amplo espectro e, fundamentalmente, drenagem da via biliar. A drenagem pode ser realizada por colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) com esfincterotomia e remoção de cálculos, ou, em casos selecionados, por drenagem biliar percutânea ou cirurgia. O prognóstico depende da gravidade inicial e da rapidez do tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da colangite aguda?

A colangite aguda tipicamente se manifesta com a tríade de Charcot: febre, icterícia e dor no quadrante superior direito do abdome. Em casos graves, pode evoluir para a pêntade de Reynolds, adicionando confusão mental e hipotensão, indicando sepse.

Qual a conduta inicial para um paciente com colangite aguda grave e choque?

A conduta inicial para colangite aguda grave com choque inclui hidratação endovenosa agressiva, antibioticoterapia de amplo espectro para cobrir germes entéricos e, crucialmente, drenagem urgente da via biliar, que pode ser endoscópica (CPRE) ou percutânea.

Por que a drenagem da via biliar é essencial no tratamento da colangite?

A drenagem da via biliar é essencial porque a colangite é uma infecção que ocorre em um sistema obstruído. A remoção da obstrução e a descompressão do sistema biliar são fundamentais para controlar a infecção, reduzir a pressão e permitir a ação dos antibióticos, prevenindo a progressão para sepse e falência de múltiplos órgãos.

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