INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2020
Uma mulher com 36 anos de idade, obesa e multípara, é admitida no pronto-socorro com quadro de febre alta com calafrios, dor no hipocôndrio direito e icterícia. Ela tem histórico de dor abdominal recorrente no hipocôndrio direito, geralmente associada à ingestão de alimentação gordurosa. Ao chegar a essa unidade hospitalar, encontra-se torporosa, febril (39,6 °C), com PA = 90 x 60 mmHg, reagindo com fácies de dor à compressão do hipocôndrio direito, mas com sinal de Murphy ausente. Os exames laboratoriais da paciente revelam leucócitos = 22.000/mm³ (valor de referência: 6 000 a 10 000/mm ³ ), com 17% de bastões e 3% de metamielócitos e bílirrubina direta = 4,8 mg/dL ( valor de referência: até 0,3 mg/dL), fosfatase alcalina = 420 UI/L (valor de referência: 70 a 192 UI/L) e gama-glutamil transferase = 302 UI/L (valor de referência 70 a 192 UI/L). A ultrassonografia abdominal da paciente mostra a presença de dilatação das vias biliares extra-hepáticas, e a vesícula biliar com algumas imagens hiperdensas e com sombra acústica posterior. Diante desse quadro clinico, qual é o diagnostico correto?
Pêntade de Reynolds = Tríade de Charcot (febre, dor HD, icterícia) + hipotensão + alteração mental = Colangite aguda grave.
A colangite aguda é uma infecção grave das vias biliares, geralmente causada por obstrução. A tríade de Charcot (febre, dor em hipocôndrio direito e icterícia) indica colangite. Quando a tríade é acompanhada de hipotensão e alteração do estado mental, configura a pêntade de Reynolds, indicando colangite aguda supurativa grave e emergência médica.
A colangite aguda é uma infecção bacteriana das vias biliares, geralmente precipitada por uma obstrução do fluxo biliar. É uma condição grave que pode rapidamente evoluir para sepse e choque. O reconhecimento precoce e o manejo agressivo são cruciais para a sobrevida do paciente. Residentes devem estar aptos a identificar os sinais e sintomas característicos. A apresentação clássica da colangite aguda é a tríade de Charcot: febre (com calafrios), dor no hipocôndrio direito e icterícia. No entanto, em casos mais graves, a infecção pode progredir para sepse biliar, manifestando-se com a pêntade de Reynolds, que inclui a tríade de Charcot mais hipotensão e alteração do estado mental (torpor, confusão). A presença da pêntade de Reynolds indica uma colangite supurativa grave e é uma emergência médica. O diagnóstico é clínico, laboratorial (leucocitose, aumento de bilirrubina direta, FA, GGT) e por imagem (ultrassonografia, TC ou RM mostrando dilatação das vias biliares e, frequentemente, a causa da obstrução como cálculos). O tratamento envolve estabilização do paciente, antibioticoterapia de amplo espectro e, fundamentalmente, a descompressão biliar urgente, que pode ser realizada por colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE), drenagem percutânea ou cirurgia.
A tríade de Charcot consiste em febre, dor no hipocôndrio direito e icterícia. A pêntade de Reynolds adiciona hipotensão e alteração do estado mental à tríade de Charcot, indicando gravidade.
A conduta inicial inclui estabilização hemodinâmica (fluidos, vasopressores se necessário), antibioticoterapia de amplo espectro e descompressão biliar urgente, que pode ser endoscópica (CPRE) ou percutânea.
Os principais fatores de risco são condições que causam obstrução das vias biliares, como colelitíase (cálculos biliares), estenoses biliares, tumores, e procedimentos biliares prévios.
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