UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2025
Mulher, 49 anos de idade, no pronto-socorro, com queixa há 4 dias de dor abdominal em região epigástrica e hipocôndrio direito, de forte intensidade, associada a náusea e vômitos. Refere também sensação de febre, porém sem aferição, e urina de coloração escurecida. Nega episódios prévios semelhantes. Sem antecedentes pessoais relevantes. Ao exame físico: regular estado geral, corada e hidratada, ictérica 2+/4+ e febril. Sinais vitais: frequência cardíaca = 115 batimentos/minuto; pressão arterial = 110 x 70 mmHg; saturação de oxigênio = 97% em ar ambiente; frequência respiratória = 23 incursões/minuto; temperatura axilar = 38,1°C. Abdome doloroso à palpação em região epigástrica e hipocôndrio direito. Exames laboratoriais: hemoglobina: 14,1 g/dL; leucócitos: 16,15 mil/mm³; TGO (AST): 81 U/L; TGP (ALT): 79 U/L; fosfatase alcalina: 850 U/L; Gama GT: 790 U/L; bilirrubinas totais: 6,90 mg/dL; bilirrubina direta: 6,50 mg/dL; amilase: 45 U/L; PCR: 190 mg/dL. Ultrassonografia de abdome: vesícula biliar de paredes pouco espessadas, com múltiplos pequenos cálculos em seu interior. Presença de moderada dilatação de vias biliares, sem evidência de fator obstrutivo ao método. Fígado e pâncreas sem alterações. Aponte a principal hipótese diagnóstica e a conduta para o caso descrito acima:
Colangite aguda = Tríade de Charcot (febre, icterícia, dor QSD) + leucocitose + colestase. Conduta: ATB + drenagem.
A colangite aguda é uma infecção grave das vias biliares, geralmente secundária à obstrução. A presença da tríade de Charcot (febre, dor em hipocôndrio direito e icterícia) é altamente sugestiva, e os exames laboratoriais confirmam o padrão colestático e inflamatório. O tratamento envolve estabilização, antibioticoterapia e drenagem urgente da via biliar.
A colangite aguda é uma emergência médico-cirúrgica caracterizada pela infecção das vias biliares, geralmente secundária à obstrução. É uma condição grave com alta morbimortalidade se não tratada prontamente. A tríade de Charcot (febre, dor em hipocôndrio direito e icterícia) é o conjunto clássico de sintomas, presente em 50-75% dos casos, e sua identificação é crucial para o diagnóstico precoce. A fisiopatologia envolve a estase biliar e a proliferação bacteriana, comumente por bactérias entéricas. O diagnóstico é clínico, laboratorial (leucocitose, elevação de bilirrubinas diretas, fosfatase alcalina, gama GT e PCR) e de imagem (ultrassonografia, tomografia ou colangio-ressonância mostrando dilatação das vias biliares e, por vezes, a causa da obstrução). A suspeita deve ser alta em pacientes com dor abdominal, febre e icterícia, especialmente se houver histórico de litíase biliar. O tratamento da colangite aguda é multifacetado, incluindo suporte clínico, antibioticoterapia de amplo espectro (cobrir gram-negativos e anaeróbios) e, fundamentalmente, a drenagem da via biliar. A drenagem pode ser realizada por CPRE (colangiopancreatografia retrógrada endoscópica), drenagem percutânea trans-hepática (PTC) ou, em casos selecionados, cirurgia. O prognóstico depende da gravidade do quadro e da rapidez na instituição do tratamento adequado.
A colangite aguda é classicamente caracterizada pela tríade de Charcot: febre, dor no quadrante superior direito do abdome e icterícia. Em casos mais graves, pode evoluir para a pentade de Reynolds, que inclui hipotensão e alteração do estado mental.
A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica, coleta de exames laboratoriais e culturas, e início imediato de antibioticoterapia de amplo espectro. A drenagem da via biliar, geralmente por CPRE, é essencial e deve ser realizada o mais rápido possível.
A principal diferença é a presença de icterícia e um padrão laboratorial de colestase (bilirrubina direta, FA e GGT muito elevadas) na colangite. A colecistite aguda geralmente não causa icterícia significativa, a menos que haja coledocolitíase associada, e o quadro inflamatório é mais localizado na vesícula.
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